Empresários driblam o câmbio

Jeito foi investir no produto e abrir lojas no exterior

Vera Dantas e Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

Um dos setores mais prejudicados com a valorização do real, os fabricantes de calçados estão conseguindo reverter parte das perdas no mercado externo com produtos diferenciados e a abertura de lojas fora do País.Enquanto boa parte do setor calçadista chiava com o enfraquecimento do dólar e os prejuízos nas exportações, a marca de calçados e acessórios Carmen Steffens, de Franca (SP), por exemplo, trabalhava para que seus produtos brilhassem nos pés de celebridades. Foram parar em seriados americanos como Desperate Housewives e American Idol. O gaúcho Mário Spaniol, que fundou a empresa em 1992, cativou mercados tradicionais, como Estados Unidos, Europa e Austrália. "No segundo semestre vamos inaugurar a primeira loja na África", diz Spaniol, que tem 17 lojas no exterior, além das 120 no Brasil. A estrutura da empresa, familiar e verticalizada - do curtume ao acabamento, a produção é toda feita em Franca - e a aposta em produtos de alto valor fizeram a diferença. O faturamento foi de R$ 111 milhões em 2007, com crescimento de 30% em vendas no exterior. A queda recente do euro também acendeu o alerta na Arezzo, especializada em calçados femininos. "Se o euro continuar caindo, o sapato europeu ficará mais competitivo", diz Alexandre Birman, vice-presidente da Arezzo. Seus sapatos custam entre US$ 120 e US$ 150 no exterior. "É um preço competitivo porque o euro estava forte e os sapatos europeus são mais caros", diz. Ele está convicto de que o grau de investimento obtido pelo Brasil vai derrubar a cotação do dólar. " Com o volume de dinheiro que entrará aqui sem dúvida o dólar vai cair bem. Se chegar a R$ 1,60, a situação ficará crítica." Mas a Arezzo tem planos de longo prazo. Além de valorizar sua a marca, quer ter 200 lojas fora do Brasil em cinco anos, ante as 11 lojas de hoje. A Dumond vai na mesma direção. Abriu lojas nas Filipinas, no Egito, em Angola e na Colômbia , planeja inaugurar mais cinco este ano e tem a expectativa de crescer 30% ante 2007. "Exportamos produtos de alto valor agregado e com estilo", diz Gerson Vaccari, gestor executivo da Dumond. Para driblar o câmbio ele procura exportar para o Oriente Médio, onde é mais fácil corrigir preços.

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