Empresários e centrais sindicais ficam às margens do impasse

Grupos esperam por solução, mas nenhum apresentou apoio explícito às propostas do governo ou oposição

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

Grandes companhias dos Estados Unidos mantêm cerca de US$ 600 bilhões dos lucros em suas subsidiárias no exterior à espera da decisão do Congresso sobre o aumento do teto da dívida do país e o ajuste fiscal nos próximos dez anos. Mas evitam os debates no Congresso, assim como os grandes sindicatos.

Segundo reportagem do jornal Financial Times, as empresas temem o retorno da alíquota de 35% sobre a renda, reduzida pelo governo de George W. Bush e hoje ainda em vigor.

Três grandes empresas, porém, mostraram-se dispostas a desistir dessa regalia. Em audiência na Câmara dos Deputados, nesta semana, os executivos-chefes do Walmart, da Kimberly-Clark e da PMC-Sierra concordaram com a medida. Mas pediram reformas na tributação, para reduzir a carga tributária. "Ter esses dólares fora do país procurando por investimentos não resultada em nada para os EUA", afirmou o presidente da PMC-Sierra, Greg Lang.

Em cima do muro. As grandes centrais sindicais e entidades empresariais, segundo seus colaboradores, não se mostram satisfeitas com nenhuma proposta em discussão no Congresso e evitam uma vinculação que lhes pode resultar em cobranças futuras. Por causa disso, nem mesmo seus lobistas circularam nesses dias pelos corredores e salas do Congresso. Do lado de fora do Capitólio, apenas pequenos grupos de manifestantes do Tea Party, a direita radical republicana, e do MoveOn, entidade liberal de apoio aos democratas, tentam fazer alguma pressão.

A poderosa e conservadora Câmara de Comércio Americana apresentou na quarta-feira um discreto apoio à proposta do republicano John Boehner. Sob o argumento de que "a suspensão dos pagamentos não é uma opção", o vice-presidente da Câmara de Comércio, Bruce Josten, enviou uma carta a todos os 535 congressistas na qual endossou seu apoio a Boehner.

A igualmente poderosa e liberal AFL-CIO, maior central sindical do país, fez um chamado aos republicanos para pararem com seu "jogo político" e se engajarem na reconstrução da economia. Mas se esquivou de dar apoio explícito à proposta do senador democrata Harry Reid, defendida pela Casa Branca.

"O quanto antes resolvermos a questão do teto da dívida, mais cedo atacaremos os tópicos que pressionam os trabalhadores, como a criação de empregos, a infraestrutura e os investimentos", informou a AFL-CIO, por meio de sua Assessoria de Imprensa.

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