Empresários e metalúrgicos não chegam a acordo sobre salário

Empresários paulistas e metalúrgicos ligados à Força Sindical não chegaram a um acordo sobre as antecipações salariais durante a reunião nesta quinta-feira. Os industriais querem a diminuição dos aumentos emergenciais de abril e maio e afirmam que "é alto" o risco de demissões casos essas medidas não sejam tomadas. Os trabalhadores, além de não ceder nesses pontos, querem a garantia de manutenção dos empregos.Trabalhadores e patrões concordaram apenas em dar uma trégua até a próxima reunião do Copom, na semana que vem. Depois devem se reunir outra vez. Os metalúrgicos prometeram uma manifestação em frente à sede do Ministério da Fazenda em São Paulo, na terça, para pressionar pela redução dos juros básicos, a Selic, hoje em 26,5% ao ano. Cobraram também a ajuda dos empresários na cruzada pela queda dos juros. "Os presidentes da Fiesp e da CNI têm que assumir essa discussão", disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.Ambos os lados concordaram que a culpa pelo baixo índice de venda das empresas e o conseqüente aperto financeiro para o pagamento dos salários é da política econômica do governo, juros altos, compulsório sobre depósitos bancários de 65% e baixo investimento público. Para os industriais, os donos das empresas estão desesperados. "Não esperem de nós compromisso total de não haver demissões. Ninguém consegue segurar o desespero dos empresários", afirmou o empresário Miguel Rodrigues Júnior.Para Eleno José Bezerra, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, se os trabalhadores aceitarem as propostas dos empresários, "nada vai mudar". "O risco de demissões permanece, porque a política econômica do governo continua", disse.

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