Empresários e trabalhadores pressionam por salvaguardas contra China

Os empresários e trabalhadores da indústria estão impacientes com a demora do governo de publicar o decreto que regulamenta as salvaguardas contra importações da China. A decisão de adotar o mecanismo de proteção foi anunciada em maio, mas até agora a medida não saiu do papel. "Temos sentido uma resistência do governo. Por que tanta demora?", questiona o gerente do Departamento de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rafael Benke.Com a mesma preocupação, o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis de São Paulo fez hoje uma manifestação no centro da capital paulista para pressionar o governo a regulamentar as salvaguardas. "O documento está parado na Casa Civil e de lá não sai", disse o presidente do sindicato", Sérgio Marques. O movimento, por meio da Força Sindical, negocia para a próxima quarta-feira uma audiência com a ministra Dilma Roussef para tratar da questão.Um levantamento realizado pela Fiesp mostra que há pelo menos 100 produtos brasileiros ameaçados pelos importados chineses, causando danos à indústria nacional, entre eles têxteis e confecções, eletroeletrônicos, ferramentas, autopeças, material óptico, escovas de cabelo, calçados e brinquedos."Desde que a China ingressou na Organização Mundial de Comércio (OMC) o Brasil ganhou o direito de adotar as salvaguardas. É um instrumento legítimo de defesa da indústria que o governo parece não querer nos conceder. A indústria sequer conhece o texto oficial das salvaguardas elaborado pela Câmara de Comércio Exterior", reclamou Benke.Marques afirmou que a forte concorrência dos produtos chineses já provocou a demissão de 2,5 mil trabalhadores na indústria paulista desde o início do ano e impediu a criação de outras 29 mil vagas.Indústria argentina também pede salvaguardasA reclamação do setor têxtil do Brasil é acompanhada atentamente pela Argentina. O secretário de Indústria argentina, Miguel Peirano, já recebeu cerca de 10 pedidos da indústria local para que sejam adotadas medidas de salvaguarda contra os importados chineses, não só para a área têxtil, mas também de calçados, brinquedos e eletrodomésticos.Brasil e Argentina se uniram pelo medo de que as exportações do gigante asiático provoquem danos nas indústrias de ambos países, e já deram início a um monitoramento conjunto dos produtos chineses que entram em seus mercados, conforme adiantou à AE, o secretário Peirano.Através de trocas de informações brasileiras e argentinas sobre o assunto, se for comprovado algum tipo de dano à indústria, um grupo técnico estudará qual seria a melhor medida para evitar a invasão dos têxteis da China. A medida, se necessária, seria adotada nos dois países.

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