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Empresários italianos não temem vitória da esquerda no Brasil

O presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de São Paulo, Edoardo Pollastri, afirmou hoje que os empresários italianos continuarão investindo no Brasil neste e nos próximos anos, independentemente de quem vier a ganhar as eleições presidenciais de outubro. "Se tem um povo que não se importa com direita e esquerda é o italiano", disse. "Temos (os empresários) certeza absoluta de que qualquer governo que assumir terá a intenção de desenvolver o País. Nenhuma esquerda, no mundo de hoje, vai fechar mercado", completou. Segundo ele, podem existir regras diferentes, mas não fechamento de mercado. Os investimentos estrangeiros diretos de empresas italianas no ano passado no Brasil foram de US$ 1,3 bilhão e, segundo a embaixada italiana no País, crescerão 30% em 2002. De acordo com Pollastri, além do aumento dos investimentos da Telecom Italia Mobile (TIM), os recursos italianos injetados no Brasil crescerão também devido à chegada de pequenas e médias empresas. "O mercado europeu começa a ficar pequeno, então não há necessidade de aumentar investimento lá. O negócio é investir na América Latina", argumentou Pollastri. A crise argentina também não põe medo nos italianos. O presidente da Câmara Ítalo-Brasileira acredita que os setores que podem mais receber investimentos das pequenas e médias empresas da Itália são os de serviços e turismo. "A importância desse investimento é a criação de muitos empregos, que cada vez mais somem nas grandes indústrias", explicou. Pollastri afirmou ainda que o volume de investimentos das empresas de origem italiana já instaladas no Brasil aumentará. O embaixador da Itália no País, Vincenzo Petrone, concorda. "São muitas empresas e elas acreditam no crescimento do mercado brasileiro", afirmou. Segundo ele, no ano passado essas empresas investiram US$ 6 bilhões. Uma das que estão investindo é a Papaiz, por meio joint-venture Faber Papaiz, criada há poucos meses. "Estamos investindo entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões na linha de produção, em Diadema, de cilindros para gás natural que vão nos carros", revelou Luigi Papaiz, presidente e fundador da companhia. Os primeiros cilindros, importados, foram fabricados na Itália com aço especial exportado pela Acesita e já começam a entrar no mercado nacional - dois containers com os cilindros estão no Porto de Santos. Luigi Papaiz afirmou que o grupo manterá investimentos no País sem se importar com quem assumirá o Palácio do Planalto no ano que vem. "Vamos crescer neste ano ante o ano passado e continuaremos assim no ano que vem", disse.Pollastri, Petroni e Papaiz participaram hoje da cerimônia de comemoração do centenário da Câmara Ítalo-Brasileira, que aconteceu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo.

Agencia Estado,

13 de maio de 2002 | 15h10

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