Empresários latino-americanos estão pessimistas Emprego deve seguir em alta

Levantamento aponta que 43% dos executivos pesquisados estão mais pessimistas em relação ao futuro econômico; otimismo na região é de 27%

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h10

Os empresários da América Latina estão preocupados com o futuro da economia dos seus países. A pesquisa Panorama Global dos Negócios, realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontou que 43% dos diretores financeiros estão mais pessimistas, enquanto 27% se mostram mais otimistas em relação ao trimestre anterior.

Os executivos estão com temor do desempenho da economia global, sobretudo com a estagnação dos EUA e a crise na Europa. Essa preocupação vem sendo reforçada pelos sinais de desaceleração da economia chinesa, considerada um dos motores do crescimento mundial.

"A China é uma grande compradora de commodities. A gente já começa a observar uma desaceleração na Ásia e isso causa preocupação na América Latina, de manter um crescimento acelerado enquanto o mundo inteiro está desacelerando", afirma Antônio Gledson de Carvalho, professor da FGV, responsável pela pesquisa em parceria com Klenio Barbosa, também docente da faculdade.

A pesquisa Panorama Global dos Negócios foi realizada pela primeira vez na América Latina e ouviu 38 diretores financeiros das empresas da região. Há 65 trimestres, a Universidade de Duke e CFO Magazine são responsáveis pelo mesmo levantamento na Europa, Estados Unidos e mais, recentemente, na Ásia. Ao todo, o levantamento consultou 811 executivos.

Na comparação com outras regiões, os latino-americanos estão mais confiantes com relação ao futuro. O levantamento global mostrou que 25,1% dos executivos dos EUA estão otimistas. Na Europa, esse porcentual cai para 20,8% dos pesquisados, enquanto na Ásia alcança 20,3% do total.

Emprego. O aumento do pessimismo na América Latina, contudo, não vai se traduzir na retração de investimentos e emprego. Pelo levantamento, os executivos consultados esperam alta de 5% na contratação de mão de obra. Oito em cada dez empresas afirmam já estar contratando. Os salários devem crescer 8% ao longo do ano.

De acordo com Carvalho, o pessimismo não está espalhado por todos os setores da economia dos países da América Latina. "Alguns setores continuam crescendo e com necessidade de contratar mão de obra."

Corrupção. A pesquisa Panorama Global dos Negócios também identificou que 71% dos executivos da América Latina acreditam que a corrupção tem um impacto negativos nos seus negócios. "É um índice muito alto. É interessante quando a gente compara com outras regiões. Aqui, a corrupção é muito mais endêmica", afirma Carvalho.

Nos Estados Unidos, segundo o levantamento, apenas 8% dos executivos dizem que a corrupção afeta os negócios.

1.Emprego. Apesar da alta do pessimismo na América Latina, os executivos da região mantêm a expectativa de aumento na contratação de mão de obra e de investimento

2.

Desvio. A corrupção foi apontada como um grande problema para o desenvolvimento dos negócios. Pelo levantamento, 71% dos executivos consideram que a corrupção tem um efeito significante sobre o andamento da economia

3. Comparação. O otimismo na América Latina é maior na comparação com outras regiões pesquisadas

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