Empresários pedem corte no custo da energia

Em reunião em Brasília, industriais defenderam a diferenciação entre energia para produçãoe para consumo

LISANDRA PARAGUASSU, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2015 | 02h04

BRASÍLIA - O tema seria o novo plano de exportações, mas a primeira reunião na retomada do Conselho Nacional do Desenvolvimento Industrial (CNDI), no início desta semana, teve como eixo central a discussão sobre oferta e custo de energia no País. Prestes a enfrentar reajustes que podem passar dos 50%, representantes da indústria voltaram a defender a diferenciação dos custos para produção e consumo, além de cobrar mais investimentos em linhas de transmissão.

A maior preocupação do governo, durante a reunião, foi assegurar ao setor industrial de que não há risco de apagões e racionamento. Em uma longa apresentação, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, garantiu as empresários que o sistema é "robusto" e confiável, afirmou que os investimentos nas linhas de transmissão estão sendo feitos e que, mesmo com problemas nas hidrelétricas, as térmicas são capazes de garantir o sistema.

Do outro lado da mesa, a questão não era apenas a preocupação com a falta de energia, mas o custo para a produção, uma antiga preocupação. Há pelo menos cinco anos a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reclama dos custos cobrados pela energia industrial. Agora, com seu ex-presidente, Armando Monteiro, na cadeira de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a discussão ganhou fôlego.

Na reunião do CNDI, os representantes da indústria cobraram não apenas a garantia de produção e distribuição, como custo menor, já que a energia é insumo básico e o governo cobra a melhoria da competitividade. Há um consenso entre os empresários de que o governo precisa diferenciar energia para consumo da energia para produção, como é feito em outros países. Essa diferença, alegam, piora a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

Antes mesmo do reajuste previsto para esse início de ano, cálculos do setor apontam que a indústria tem, hoje, um custo de R$ 402 por KWh, o sexto maior do mundo. A queda nas tarifas prometida pela presidente Dilma Rousseff já foi totalmente engolida pela crise que o setor atravessa exatamente desde que a promessa foi feita.

A discussão ainda não avançou no governo e será difícil prosperar, mesmo com a posição de Monteiro à frente do MDIC, apesar de setores considerarem que a situação atual não é razoável. Até agora, o ministro não conseguiu convencer nenhum dos seus colegas da equipe econômica a discutir quaisquer tipos de novas desonerações para a indústria, nem mesmo sabe se conseguirá manter as já existentes.

Os dois pontos mais cobrados pelos empresários dificilmente serão encampados pelo governo. Além do custo diferenciado da energia, o setor defende que se tente manter o câmbio em torno de R$ 2,80.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.