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Empresários pedem mais ação e menos discurso

A maioria dos projetos para melhorar a infra-estrutura não sai do papel

Renée Pereira, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

A lentidão do governo para pôr em prática planos amplamente divulgados é a principal crítica de economistas e especialistas no setor de infra-estrutura. "O discurso é perfeito. Falta ação", reclama o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Santos Reis. Na opinião dele e de vários outros especialistas, há um problema de gestão no governo, que não permite o andamento dos projetos na velocidade exigida pelo País.Todos reconhecem que há interesse e esforço para aumentar o volume de investimento. Mas há sempre um entrave, como problemas ambientais, questões jurídicas e desentendimentos com o Tribunal de Contas da União (TCU), entre outros. É na solução desses entraves que o governo peca e cai na morosidade, dizem os especialistas. "Não há organização. Lá fora, os projetos têm começo, meio e fim. Aqui, parece que eles desanimam no meio do caminho por causa dos obstáculos", afirma o diretor do Departamento de Infra-Estrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sérgio da Silva.Tudo demora muito para sair do papel como se o País tivesse tempo para solucionar os problemas da infra-estrutura. Um exemplo gritante de morosidade do Estado é o processo de licitação dos sete lotes de rodovias federais. Desde 1999, tenta-se levar esses trechos de estrada a leilão. O processo foi e voltou do TCU, várias vezes, e continua pendente. "Não queremos que os projetos sejam feitos sem capricho, apenas que haja mais agilidade no processo. Além disso, é preciso decidir logo se um empreendimento pode ou não ser feito. Em caso negativo, que encontrem outra solução", reivindica Silva. "O excesso de controle atrapalha a agilidade do governo. Um processo de licitação que demoraria três meses acaba levando oito", afirma uma fonte do setor que prefere não ser identificada.Outro dilema é a diferença entre ideologias. Há quem diga em Brasília que a demora das parcerias público-privadas (PPPs) deve-se a uma divisão dentro do governo entre os que consideram imprescindíveis as parcerias com a iniciativa privada e aqueles que questionam a necessidade desse mecanismo para elevar os investimentos em infra-estrutura. O fato é que depois de lançar e relançar o programa, a carteira de projetos está praticamente vazia. No início deste mês, o governo decidiu que a BR-116, entre Salvador e a divisa com Minas Gerais, que estrearia as PPPs, agora será concessão rodoviária. Há dúvidas também em relação ao Ferroanel de São Paulo. PLANO ESTRATÉGICOO presidente da Abdib, Paulo Godoy, lembra que parte da infra-estrutura brasileira surgiu durante as décadas de 1960 e 1970, como é o caso de rodovias e hidrelétricas, num resultado de Planos Nacionais de Desenvolvimento. "Depois disso, veio o regime democrático, alternância de governos e não tivermos um plano de desenvolvimento de longo prazo", comenta ele, destacando que a última tentativa de criar um programa desse tipo foi no Governo FHC, com o Brasil em Ação.Esses planos, diz ele, deveriam ser aprovados no Congresso para evitar mudança de foco e dar seqüência nos projetos, o que não ocorre hoje. "Precisamos resolver todos os problemas agora porque o cenário econômico é extremamente positivo." A demanda de Godoy deve-se à extrema liquidez do mercado mundial com investidores estão ávidos por novas oportunidades de negócios. "Não há falta de dinheiro no País. Falta agilidade de governo", diz Reis.

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