Empresários pedem medidas para aumentar exportações

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que preside o Comitê Empresarial Permanente, ouviu hoje na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a preocupação dos pesos pesados do empresariado nacional sobre entraves que ainda existem para os produtos nacionais no mercado externo e sobre a necessidade de encontrar soluções para o problemas que ainda impedem os produtos manufaturados serem mais competitivos. "A idéia destes encontros, que ocorrem de quatro em quatro meses, é informar o governo as nossas preocupações em relação às negociações comerciais nas quais o Brasil está envolvido e, ao mesmo tempo, receber informações sobre o que está ocorrendo no mundo", disse Paulo Saab, presidente da Eletros, pouco antes de entrar em reunião fechada, que deverá se estender até por volta das 13h30. Depois, o ministro participará de um almoço na sede do jornal "Folha de S. Paulo" Entre os empresários e executivos de grandes companhias presentes à reunião do Comité Empresarial estão Ademelvar Garcia, Guilhermo Duque Estrada, Roberto Teixeira da Costa, Ivoncy Iochpe, Henrique Rzezinski, Joseph Tutundjian, Maurício Costin, Paulo Atallah e Sinésio Batista, além do presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva. Ainda pouco antes da reunião, o presidente da Eletros disse à Agência Estado que, como representante de um setor importante da indústria nacional, voltaria a expor ao ministro as preocupações do setor em relação às negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "Precisamos igualdade de condições. Caso contrário, nosso o setor, que exporta US$ 600 milhões em média, acabará perdendo competitividade", disse Saab. De acordo com ele, o México, um dos parceiros dos Estados Unidos no Nafta, tem hoje acordos bilaterais com vários países latino-americanos que lhe permitem ser competitivos por excelência. "No Brasil, temos ainda sérios problemas de logística e de legislação que impedem sermos mais competitivos", reclamou o presidente da Eletros. Entre os problemas, Saab citou por exemplo a burocracia, a falta de condições de armazenagem, o transporte de mercadorias e o excesso de fiscalização. "Tudo isso tem custo muito alto." Saab afirmou, entretanto, que o maior problema do setor é que a Zona Franca de Manaus continua sendo tratada como terceiro país no âmbito do Mercosul. Isso significa que a produção dessa zona industrial do País não é contemplada como nacional, razão pela qual sofre a mesma taxação do que de qualquer produto de outro país que não faz parte do bloco regional. "O governo precisa acabar com essa condição de terceiro país," reclamou. A Eletros, comentou ele, vem tentando essa mudança há mais de quatro anos e, agora, espera que o presidente Luís Inácio Lula da Silva, que se comprometeu a acabar com isso, cumpra. "O ministro Celso Amorim já nos disse que essa é uma das prioridades do governo." Atualmente, as indústrias que fazem parte da Eletros exportam cerca de US$ 600 milhões. Desse, total, a Zona Franca de Manaus é responsável por 80%.

Agencia Estado,

14 de abril de 2003 | 13h08

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