Empresários pedem menos encargos em evento com presidenciáveis

'Nossa legislação é antiga e precisa ser reformulada', diz diretor da Gerdau

Denise Madueño, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 12h32

Redução de encargos trabalhistas, instrumentos que permitam o aumento de competitividade da indústria, necessidade de decisões e ações mais rápidas do Estado e reformas constitucionais estão no centro das preocupações dos empresários manifestadas nesta terça-feira, 25, no encontro que a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) realiza com os presidenciáveis José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). Cinco empresários fizeram uma exposição aos três candidatos antes do início do debate com cada um deles separadamente.

"Precisamos de isonomia competitiva", afirmou o diretor presidente do Grupo Gerdau, André Gerdau, levantando aos três candidatos os pontos tradicionais reclamados pelos empresários. Ele apontou o câmbio valorizado como limitador da exportação, elegeu como obstáculos para esse caminho a elevada carga tributária, os juros, que "acabam inviabilizando investimento e gerando barreira para o crescimento", e pregou a redução dos encargos trabalhistas e o fim da burocracia.

O empresário defendeu, ainda, investimentos na área de educação. Gerdau, um dos maiores produtores de aço do mundo, reconheceu que o tema de redução de encargos trabalhistas é polêmico, mas insistiu: "nossa legislação é antiga e precisa ser reformulada".

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Robson Braga, ressaltou que adiar a realização de reformas constitucionais faz parte do chamado "custo Brasil". Para ele, é necessário dar prioridade para as reformas com maior impacto sobre a competitividade. "A vontade do presidente da República é fundamental (para as reformas)", disse, principalmente por causa do alto capital político do eleito. "Sem as reformas, vamos chegar a um esgotamento do sistema e da economia. Não seremos capazes de competir no mercado globalizado", afirmou Braga.

O presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Horácio Lafer Piva, afirmou que falta ao Estado a velocidade de decisão e de ação que toda empresa busca. "Isso vai depender do compromisso do próximo presidente", completou. O empresário disse aos três presidenciáveis que a indústria não é apenas um grupo de pressão, mas uma parte importante da solução. "Todo líder precisa de respostas, mas para isso a gente precisa fazer mais perguntas. Se os candidatos puderem dizer o que pretendem, e nos permitam debater, nós vamos sustentar melhor o País social e economicamente", afirmou Piva.

O presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, citou a necessidade de acabar com os impostos de exportação e lembrou do déficit na balança comercial, quando se trata de produtos de alta e média tecnologia. "Quanto maior o valor agregado, mais deficitário. Isso representa uma real ameaça à produção industrial", disse. "Somos a oitava economia do mundo, ao passo que somos apenas o vigésimo exportador", ressaltou. Curado pediu também a ligação direta da Câmara de Comércio Exterior (Camex) à presidência da República, hoje no âmbito do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior.

Ainda na parte inicial do encontro dos presidenciáveis na CNI, o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, cobrou mais investimentos. "O Brasil está perto de investir R$ 120 bilhões por ano em infraestrutura e precisa chegar a algo perto de R$ 160 bilhões", disse. Ele citou estudo no qual o Brasil, em um grupo de 133 países, está na posição 27 em eficiência, se levado em conta só o setor privado. Quando se leva em conta a eficiência do Estado, ele cai no ranking para o número 128 de 133. "Precisamos nos debruçar fortemente em melhorar a eficiência do aparato do Estado, melhorar a relação custo-benefício da arrecadação tributária", disse.

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