Empresários querem Duhalde fora logo

Setores influentes do empresariado argentino pretendem que o presidente Eduardo Duhalde deixe a cadeira presidencial antes do previsto. A Câmara Argentina de Comércio (CAC) e a Sociedade Rural Argentina (SRA) pediram a Duhalde que antecipe para outubro deste ano as eleições presidenciais, originalmente marcadas para setembro de 2003 e adiantadas recentemente para março do ano que vem.Se isso acontecesse, o novo presidente poderia tomar posse ainda neste ano, em dezembro. ?O atual governo prestaria um grande serviço ao país se acelerasse os prazos das eleições?, afirmaram as duas câmaras empresariais em pronunciamento conjunto.LegitimidadeSegundo o presidente da Câmara de Comércio, Jorge Di Fiori, só a partir da eleição de um novo presidente se poderá pensar na solução dos problemas a médio prazo. O empresário afirmou que o país passa por um momento de transitoriedade e precariedade. ?Temos um governo legítimo, do ponto de vista formal, mas carente de legitimidade do ponto de vista substancial?, afirmou, numa indireta ao fato de Duhalde ter sido eleito às pressas pelo Congresso, para completar o mandato de Fernando de la Rúa (1999-2001).Di Fiori reclamou do fato de o governo Duhalde não ter conseguido, em sete meses, encontrar solução para o corralito (semicongelamento de depósitos bancários): ?Quem vai acreditar que (o governo) poderá apresentar soluções para os graves problemas? Não é razoável que se continue nesta precariedade, adiando soluções?.Choque de confiançaO presidente da Sociedade Rural, Enrique Crotto, acha o país precisa de um ?choque de confiança?, para ?modificar muitas coisas que foram malfeitas nos últimos tempos?. A confiança dos empresários no futuro do país atingiu seu ponto mais baixo na história argentina. Poucos empresários pretendem investir no país, e a maioria está em compasso de espera ? sem muitas esperanças ? de que surjam sinais de reativação econômica.DemissõesPor este motivo, uma parte substancial dos empresários pretende demitir até o fim deste ano, para reduzir custos. Segundo pesquisa feita pelo Instituto de Estudos Trabalhistas da Universidade UCES, 26.9% das empresas já decidiram que vão dispensar funcionários até dezembro. Além disso, 72% dos empresários afirmam que não poderão elevar os salários de seus empregados, apesar da inflação, que, no primeiro semestre, ultrapassou a faixa de 30%.Ruim ou piorDe acordo com a pesquisa, 43% dos entrevistados esperam um segundo semestre pior. Outros 43% consideram que a situação permanecerá igual, ou seja, ruim.De la SotaPreparando-se para uma eventual nova antecipação das eleições, os presidenciáveis se preparam para lançar suas candidaturas. Neste sábado, o governador da província de Córdoba, José Manuel de la Sota, apresentará oficialmente sua pré-candidatura pelo governista Partido Justicialista. O governo Duhalde espera que De la Sota consiga derrotar dentro da convenção interna do peronismo o ex?presidente Carlos Menem (1989-99), que também é pré-candidato.De la Sota fará o anúncio de sua candidatura acompanhado por 40 deputados federais peronistas, o equivalente a um terço do total de parlamentares que o partido tem na Câmara. De la Sota aposta em uma vitória dentro do peronismo, principalmente depois que a candidatura de Menem foi abalada nesta semana pela denúncia de que teria recebido US$ 10 milhões do governo do Irã para encobrir a participação deste país no atentado ocorrido em 1994 contra a associação beneficente judaica AMIA, em Buenos Aires.Além disso, a posição de Menem ficou mais enfraquecida depois que o ex?presidente admitiu que possuía uma conta bancária na Suíça, algo que havia desmentido ao longo de toda a década passada.CandidataEnquanto isso, a deputada Elisa Carrió, líder do Argentinos por uma República de Iguais (ARI), a presidenciável mais bem posicionada nas pesquisas de intenção de voto, tenta definir quem será seu candidato a vice. Um dos nomes mais cotados é a do secretário-geral da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), Víctor De Gennaro.A CTA é a única central sindical não considerada ?pelega? na Argentina, e reúne a maioria dos funcionários públicos, além de associações de aposentados e desempregados.DireitaEnquanto a centro-esquerda se organiza, a direita também se prepara. O Movimento Federal, que reúne os pequenos partidos provinciais da Argentina (que durante décadas funcionaram como os fiéis da balança no Parlamento), estaria fazendo contato com o ex?ministro da Economia e ultra-ortodoxo Ricardo López Murphy. Especula-se que lhe seria oferecida a vice-presidência ou a possibilidade de retornar ao ministério.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.