Empresários querem solução negociada na 'guerra do algodão'

Empresários querem solução negociada na 'guerra do algodão'

Brazil-US Business Council faz proposta para resolver o conflito e impedir sanções a produtos americanos

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

O Brazil-US Business Council defendeu uma solução negociada para o conflito envolvendo o Brasil e os Estados Unidos na questão do algodão. O braço brasileiro da organização comercial, ligado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou em carta divulgada ontem que a imposição de medidas retaliatórias pelo governo brasileiro a produtos americanos não seria do interesse dos dois países.

O anúncio ocorre na véspera da visita de uma representante do governo dos EUA ao Brasil para tentar convencer os brasileiros a encontrarem uma solução negociada. A embaixadora Miriam Sapiro, do U.S. Trade Representative, que cuida das questões de comércio internacional dos EUA, deve desembarcar em Brasília amanhã para negociar com autoridades brasileiras e impedir as retaliações.

Não está claro qual a agenda. O Estado tentou falar com ela ontem, mas apenas obteve como resposta um comunicado dizendo que o governo americano "continua engajado com o governo brasileiro para alcançar uma solução negociada para impedir a imposição de medidas" .

Depois de um embate iniciado em 2002, os brasileiros venceram a disputa na Organização Mundial do Comércio para poder retaliar os EUA. Os americanos, segundo a entidade, concedem subsídios ilegais aos produtores de algodão do país, o que traz prejuízos para os concorrentes brasileiros.

"Embora consideremos a retaliação um mecanismo legítimo em acordo com a OMC, reconhecemos e enfatizamos que isso não está no interesse de longo prazo dos dois países. Portanto, apoiamos a ideia de um pacote negociado que constitui uma alternativa para a retaliação comercial", afirma a carta assinada por Henrique Rzezinski, presidente do Brazil-US Business Council em Brasília ? há um braço da entidade nos EUA. Ele também assinou a carta em nome da Braztac, que significa Coalizão de Ação Comercial do Brasil, na sigla em inglês.

A proposta ? que, de acordo com a carta, deve receber uma grande consideração do governo brasileiro ? prevê três pontos principais. Em primeiro lugar, o governo dos EUA precisam se comprometer com as decisões da OMC. O segundo ponto prevê uma compensação imediata e substancial dos EUA ao setor algodoeiro do Brasil. Por último, os EUA deveriam oferecer uma compensação adicional, com novas oportunidades de acesso ao mercado americano para exportações brasileiras.

O Brasil já elaborou uma lista com 102 produtos americanos que sofrerão retaliação, caso não haja um acordo. Essas mercadorias pagarão sobretaxas que vão elevar o total a US$ 829 milhões, quando somadas a retaliações na área de propriedade intelectual. O governo americano tenta encontrar uma saída, mas esbarra em resistências do Congresso dos EUA, que precisa autorizar as mudanças nos subsídios. Muitos deputados e senadores são ligados a grupos lobistas dos produtores de algodão que tentam impedir o fim dos subsídios.

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