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Empresários temem onda de reestatizações e nacionalizações

O clima ontem em Buenos Aires em diversos setores empresariais era de relativo temor por uma onda de nacionalizações ou reestatizações, após a decisão do governo argentino de expropriar a petrolífera YPF. No entanto, o ex-vice-ministro da Economia e atual deputado kirchnerista Roberto Feletti, afirmou que o governo "não está implementando uma política de nacionalizações em massa".

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h06

Feletti, que ficou famoso no ano passado ao declarar que era necessário "aprofundar o populismo", disse ontem que o modelo de participação do capital privado "não precisa ser excluído". "Existem numerosas empresas que poderiam investir, se tiverem condições. Nem tudo necessariamente tem de ser feito pelo Estado argentino."

Segundo o vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, a Repsol "colide com os interesses do país". "Nosso projeto vai aumentar a produção petrolífera", exclamou. Kiciloff, embora vice-ministro, é considerado o virtual chefe da pasta da Economia, formalmente nas mãos do ministro Hernán Lorenzino. O jovem vice-ministro, que se transformou no mentor econômico da presidente, disse em sabatina no Senado que "a YPF deverá ser alinhada com o modelo" kirchnerista.

Ontem, junto com Kiciloff, o ministro do Planejamento Federal, Julio De Vido, designado interventor da YPF, comemorou um virtual aumento de produção nas 24 horas transcorridas desde a expropriação: "Na refinaria da YPF na cidade de La Plata a produção cresceu 5%!"

Enquanto De Vido e Kicillof falavam aos senadores, chegava ao Senado o projeto de lei de expropriação da YPF. O governo tem maioria para aprovar o projeto na Casa. Um dos votos favoráveis, segundo analistas, seria o do ex-presidente e atual senador Carlos Menem, que passou de inimigo mortal do kirchnerismo a aliado do governo nos últimos três anos. Paradoxalmente, Menem foi o responsável pela privatização da YPF há 20 anos.

Os partidos de centro-esquerda e de esquerda da oposição, como União Cívica Radical (UCR), anunciaram que darão respaldo ao projeto do governo. O Proposta Republicana (PRO) afirmou que a expropriação "é contrária os interesses dos argentinos".

No plano externo, o governo Kirchner pretende conseguir o apoio da Petrobrás. Na sexta-feira, o ministro De Vido viajará ao Brasil para reunir-se com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster. O encontro, programado desde março, será em Brasília.

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