Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Empresários vão a Temer e pedem reformas

Representantes do setor privado já tratam o presidente em exercício como efetivo e afirmam que governo terá apoio para ajuste fiscal

Tânia Monteiro, Carla Araújo, Bernardo Caram, Eduardo Rodrigues, Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2016 | 05h00

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O presidente em exercício Michel Temer se encontrou ontem, pelo segundo dia seguido, com representantes do setor empresarial para reafirmar o compromisso do governo com o ajuste. “Proponho uma soma de esforços do governo e do setor privado para edificarmos uma nova realidade para o nosso País”, disse, em evento que reuniu no Palácio do Planalto cerca de 800 empresários da construção civil, um dos setores mais atingidos pela recessão econômica.

No dia anterior, Temer já havia se reunido com alguns dos mais importantes representantes de bancos e de conglomerados industriais, reunidos no Instituto Talento Brasil (ITB). Medidas para estancar o processo recessivo e iniciar a retomada do crescimento econômico formaram a pauta dos empresários no encontro. “Não pedimos apoio a nada. Ao contrário, viemos oferecer”, afirmou o coordenador do ITB, Antônio Machado de Barros.

Não foi a primeira vez que o grupo, que reúne os principais empresários do País, se encontrou com o Temer. Eles já haviam se reunido ainda antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff. O grupo ajudou na elaboração do “Ponte para o Futuro”, o programa apresentado pelo PMDB como saída para a crise econômica brasileira (leia mais na coluna de Sônia Racy, na página C2).

Estiveram em Brasília Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco; Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho do Itaú Unibanco; Jorge Gerdau, presidente do grupo Gerdau; Carlos Alberto Sicupira, da 3G Capital; Carlos Francisco Jereissati, presidente do conselho do Grupo Jereissati; Edson Godoy Bueno, presidente do Conselho do Grupo Amil; Josué Gomes da Silva, presidente do conselho e da diretoria da Coteminas; Pedro Passos, copresidente do Conselho da Natura; e Vicente Falconi, presidente da Falconi Consultoria.

Segundo Barros, os empresários saíram “animados” da reunião e comentou que o andamento do processo de afastamento de Dilma Rousseff sequer foi tratado, pois o empresariado considera que o impeachment já está “em sua reta final”.

O grupo destacou ao presidente que considera como “os dois projetos prioritários” para a reconstrução econômica a PEC da limitação do gasto público e a reforma da Previdência. “Ouvimos a convicção de que, em meio a negociações, essas proposições serão aprovadas provavelmente ainda este ano, no caso da PEC do teto, e a reforma da Previdência pelo menos encaminhado o seu conceito para discussão este ano também”, afirmou.

Barros diz que o grupo atua desde os anos 90 e já levou propostas aos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula. “Mas, no encontro desta semana, sentimos uma abertura inédita”, disse.

Construção. No evento de ontem, Temer disse que é na construção civil que se observa a maior possibilidade da “difusão do emprego”. Em recentes pesquisas, o segmento – atingido duramente pela recessão e pelas consequências da Operação Lava Jato – constatou ter demitido cerca de 400 mil trabalhadores em um ano.

O presidente em exercício anunciou a retomada da construção de 10 mil unidades do Minha Casa Minha Vida e chegou a quebrar o protocolo dedicando mais tempo do que o normal aos cumprimentos e fotos com os empresários. Apesar de repetir que já age como presidente efetivo, Temer reconheceu as dificuldades, mas disse que era preciso olhar para o futuro. “Não temos de olhar pelo retrovisor para o passado, mas temos de verificar qual a realidade presente e olhar para o futuro”, afirmou. “Não tenho dúvidas de que vossa excelência será o líder maior à frente da roda do desenvolvimento”, disse o presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo, Antonio de Sousa Ramalho, em resposta.

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