Empresários venezuelanos vêem com reserva entrada no Mercosul

Os empresários da Venezuela vêem com reservas a entrada do país no Mercosul, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal El Universal, de Caracas. Um dos entrevistados pelo jornal é o presidente da Confederação da Indústria Venezuelana (Conindustria), Silvano Gelleni, que critica o fato de o presidente Hugo Chávez não ter consultado os diversos setores produtivos antes de se decidir pela assinatura do protocolo de adesão, prevista para esta terça-feira na capital venezuelana.Segundo Gelleni, os empresários estão preocupados com as "assimetrias" entre Brasil e Argentina. "O tamanho da produção do país vizinho é pelo menos dez vezes maior do que o da nossa", diz o presidente da Conindustria, referindo-se à indústria brasileira.A adesão será formalizada em uma cerimônia que deverá contar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes dos outros três países que compõem o bloco (Argentina, Paraguai e Uruguai).Entra e sai? Já o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, afirma em entrevista ao jornal Financial Times que considera deixar o Mercosul se Brasil e Argentina não abandonarem suas políticas "protecionistas".Duarte atacou Brasil e Argentina pelo "egoísmo e mesmo hipocrisia": "Juntos, os países do Mercosul condenam o protecionismo dos Estados Unidos e da União Européia, quando as mesmas práticas persistem entre nós", afirmou Duarte, em entrevista à jornalista do FT em Assunção.Para o líder paraguaio, a união aduaneira firmada 15 anos atrás não rendeu ao seu país o acesso esperado aos mercados brasileiro e argentino.Duarte também disse que a entrada da Venezuela pode transformar o bloco num fórum de "maniqueísmo político e exacerbação de confrontações ideológicas e dogmáticas".Para assegurar o apoio paraguaio, Duarte propõe que o governo de Hugo Chávez compre parte da dívida paraguaia, como fez com a Argentina.

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