Empresas aceleram ritmo. No Brasil

Alheias à crise que ganha corpo no mercado internacional, as empresas brasileiras mantiveram os investimentos programados para este ano e apostam no crescimento do mercado interno. A Braskem, maior petroquímica da América Latina, por exemplo, confirmou que vai desembolsar R$ 1,3 bilhão em 2008 e um montante parecido em 2009.Os planos da empresa incluem a expansão da capacidade de produção de polímeros (resinas plásticas) e de PVC para enfrentar a demanda crescente das montadoras de veículos e empresas de construção civil e do agronegócio, entre outros."Temos que nos preparar para um período de crescimento sustentado da economia brasileira, motivado, sobretudo, por fatores internos, como o aumento da renda do consumidor e do crédito, com prazos mais longos de pagamento", diz o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich.A demanda por resinas plásticas tem crescido na casa de dois dígitos. Em 2006 e 2007, foram 10%. Para este ano, a previsão é de 12%.A decisão de manter o pé no acelerador é valida até mesmo para empresas com fortes laços com os Estados Unidos. É o caso da Coteminas, um dos maiores grupos têxteis do País, que tem nos Estados Unidos a origem de 70% do seu faturamento total, da ordem de R$ 4 bilhões no ano passado.Nas próximas semanas, a companhia deverá aprovar o plano de investimentos para este ano, cujo montante deverá ficar próximo dos R$ 134 milhões aplicados em 2007."Em hipótese nenhuma a crise nos Estados Unidos vai influenciar a nossa decisão de investir no País", garante Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas. O executivo espera compensar em outros mercados a provável redução de vendas nos mercado norte-americano.Embora esteja convencido de que todo o mundo vai ser afetado de alguma forma pela crise americana, o empresário acredita que o Brasil tem todas as razões para estar bem. "Temos um consumo interno que cresce e permite que as empresas planejem investimentos, enquanto nossas contas fiscais estão próximas do equilíbrio, o que garante a solvência do Estado, e o nível das nossas reservas internacionais garantem uma tranqüilidade que nunca tivemos antes".Gomes da Silva cita ainda que os preços das principais commodities exportadas pelo País não param de subir, apesar da provável recessão nos EUA, que representam 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. "O mundo vive um período meio que de perplexidade, e o Brasil passa por um bom momento".A cotação da soja aumentou 70% em um ano, confirma o presidente da Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Antonio Chavaglia. O faturamento da cooperativa este ano deverá superar R$ 1 bilhão, ante R$ 800 milhões em 2007.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.