Stuart Isett/The New York Times
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Empresas adiam volta ao escritório para julho de 2021 nos Estados Unidos

Gigantes como Ford e Microsoft decidiram estender o trabalho em casa até próximo verão do Hemisfério Norte em meio à pandemia

Gillian Friedman e Kellen Browning, The New York Times

15 de outubro de 2020 | 05h00

Em março, quando a pandemia do coronavírus fechou escritórios nos EUA, muitas empresas disseram aos funcionários que seria apenas por um curto período. Os trabalhadores estariam de volta a suas mesas em questão de semanas. Mas as semanas chegaram a setembro. Depois setembro virou janeiro. E agora, com os casos ainda em alta em algumas regiões americanas, um número crescente de empregadores está adiando a data de retorno ao escritório de novo, para o verão do Hemisfério Norte de 2021.

O Google foi um dos primeiros a anunciar que julho de 2021 era sua data de volta ao escritório. Uber, Slack e Airbnb logo seguiram o movimento. Na semana passada, Microsoft, Target, Ford e The New York Times disseram que também adiaram o retorno ao trabalho presencial e reconheceram o inevitável: a pandemia não irá embora tão cedo.

“Vamos fazer esse sacrifício”, disse Joan Burke, chefe de RH da DocuSign. Em agosto, sua empresa, que gerencia assinaturas eletrônicas de documentos, decidiu que permitiria que seus 5,2 mil funcionários trabalhassem de casa até meados de 2021. “Ainda estamos vendo a situação evoluir.”

Espera-se que muitas outras empresas adiem as datas de retorno ao escritório para manter os trabalhadores em segurança. E os funcionários não têm pressa em voltar, sendo que 73% dos funcionários americanos temem que estar no local de trabalho possa representar um risco à sua saúde e à segurança pessoal, apontou estudo realizado pela Wakefield Research a pedido da Envoy, empresa de tecnologia para locais de trabalho.

Mais empresas também estão dizendo que vão instituir políticas permanentes de trabalho em casa, para que os funcionários nunca mais tenham que voltar ao escritório. Em maio, o Facebook anunciou que permitiria que muitos funcionários trabalhassem remotamente mesmo após a pandemia. Twitter, Coinbase e Shopify fizeram o mesmo, motivando a Microsoft a seguir a tendência.

Novos cronogramas e mudanças nas políticas se somam a uma tentativa de equilíbrio contínuo para as empresas, pois o coronavírus quebra as normas de trabalho e altera suposições sobre produtividade. Os empregadores também estão sob pressão para serem tão flexíveis quanto possível sobre suas intenções, de modo que os trabalhadores possam planejar suas vidas com antecedência.

O adiamento das datas de retorno é um “golpe psicológico” para os que esperavam que esta fosse apenas uma fase de transição, disse Tsedal Neeley, professora da Harvard Business School. “A realidade está batendo à porta. E as pessoas pensam: a vacina não vai chegar tão rápido quanto se queria, essa vai ser minha vida, é melhor eu aprender a lidar com isso.”

Solução permanente? Neeley comparou a situação a ficar num terminal de aeroporto esperando por um voo atrasado. Com as novas datas anunciadas, as pessoas podem finalmente começar a trocar aquela abordagem temporária de “sorrir e aguentar firme” pela adaptação para uma mudança permanente. 

Grande parte das corporações americanas agora está seguindo o exemplo de empresas de tecnologia do Vale do Silício, como Google e Facebook, que permitiam que os funcionários trabalhassem de casa antes mesmo da pandemia. “Espero que isso ofereça a flexibilidade para equilibrar o trabalho com o cuidado de si mesmo e de seus entes queridos nos próximos 12 meses”, escreveu o executivo-chefe do Google, Sundar Pichai, ao adiar o retorno à sede para julho de 2021.

Joan Burke, a executiva da DocuSign, disse que anunciar a data de retorno de junho do ano que vem aos funcionários gerou um “suspiro de alívio coletivo dentro da empresa” porque pôs fim aos adiamentos sucessivos e à incerteza de quando o time deveriam retornar.

O trabalho remoto tem sido produtivo, disse Joan, e as pessoas gostam de não ter de se deslocar ao escritório todos os dias. Mas uma mistura de presencial e remoto provavelmente será a opção mais popular para os funcionários quando a vida voltar ao normal, disse, porque eles também sentem falta da interação social de um espaço de escritório. “O Zoom “não é a mesma coisa, é exaustivo. Ontem mesmo, fiquei no Zoom até umas sete da noite.”

Dilema industrial

Outras empresas que adiaram seu retorno ao escritório muitas vezes enfrentam uma decisão mais complicada porque sua força de trabalho não é composta apenas por engenheiros de colarinho branco – diferentemente das empresas de internet.

A Ford disse na semana passada que sua decisão de adiar o trabalho presencial até junho de 2021 se aplicaria aos cerca de 32 mil funcionários da companhia na América do Norte que já estão trabalhando remotamente. A empresa, que tem cerca de 188 mil funcionários, disse que a política não se aplica ao pessoal de fábrica.

Quando a varejista Target anunciou sua decisão de permitir que alguns funcionários continuassem a trabalhar de casa até junho de 2021, numa carta dirigida à equipe na semana passada, a empresa disse que a medida se aplicaria apenas aos funcionários de sua sede em Minneapolis. A Target especificou que um pequeno número de funcionários que dependem das instalações da sede continuará a trabalhar no local. E o pessoal de loja, claro, continuará a trabalhar presencialmente. 

Algumas empresas que já tentaram trazer funcionários de volta ao escritório se depararam com questões de segurança. No mês passado, os bancos Goldman Sachs e o JP Morgan Chase mandaram alguns funcionários de volta para casa depois que empregados que tinham voltado ao escritório testaram positivo para o vírus./TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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