Empresas adotam medidas para baixar consumo de água e energia

Preocupação leva indústrias a intensificar ações que incluem reúso de água e desligamento de aparelhos elétricos

O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2015 | 02h05

Preocupadas com o racionamento de água e de energia, empresas intensificam medidas para reduzir o consumo dos dois insumos básicos para movimentar a economia. No caso da energia, as iniciativas incluem a compra de geradores até o uso da borra de café para produzir vapor. Também vale tudo para economizar água. Há empresas que adotam medidas simples, como aproveitar água usada, instalar redutor de vazão nas torneiras ou ampliar a captação de água da chuva.

Apesar de temerem um racionamento, grandes indústrias de setores-chave como siderúrgico, automobilístico, petroquímico e têxtil evitam detalhar o que estão fazendo de novo para enfrentar o problema.

A TDM Friction, fabricante de pastilhas de freio, mudou recentemente o projeto da fábrica que está construindo em Salto (SP) para acrescentar um sistema de captação de água da chuva e a três poços artesianos. Incluiu também no investimento (de R$ 140 milhões) a compra de geradores de energia. Nenhum desses itens está presente na fábrica atual do grupo, em Indaiatuba (SP), que será transferida para a nova unidade em 2016. Por receio de um racionamento severo de energia, a empresa também vai instalar geradores na fábrica atual, ao custo de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões cada. "Isso vai encarecer o produto e o repasse será inevitável", diz Marcoabel Moreira, diretor da empresa.

Também a Mondial, fabricante de eletroportáteis, no final de 2014 investiu em sete grupos de geradores movidos a óleo diesel na fábrica que fica em Conceição do Jacuípe (BA) para escapar do risco de falta de energia. Giovanni Marins Cardoso, sócio-fundador, conta que gastou R$ 5 milhões na compra dos equipamentos. "Tenho máquinas injetoras que trabalham 24 horas e não podem parar."

Desligar aparelhos de ar-condicionado e apagar todas as luzes do pátios das quatro fábricas do grupo em São Paulo e Rio Grande do Sul foi a estratégia adotada pela autopeças Eaton durante a crise energética de 2001 e que será repetida neste ano se for necessário. "Já com o problema da água não temos preocupação pois temos poços autorizados e não dependemos da água pública", afirma o gerente José Angelo Coelho.

A Nestlé é outra que afirma estar tranquila. "Somos quase autossustentáveis nas fábricas de lácteos", diz Marcelo Cosso, gerente de Sustentabilidade. Nas 11 fábricas de lácteos, a empresa retira a água do leite e reutiliza em diversos processos. Cosso diz que, no caso de energia, a empresa usa 97% da borra resultante da produção do café solúvel como biomassa para a produção de vapor na unidade de Araras (SP).

A Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos, é outra empresa que trabalha há algum tempo para reduzir o consumo de água e energia. Mas, segundo Vanderlei Niehues, gerente-geral de Sustentabilidade, a empresa intensificou as ações desde o ano passado. Nas fábricas, ampliou a captação de água da chuva e instalou novos sistemas de reúso.

A preocupação com reúso atinge também o canteiro de obras. A construtora Trisul instalou caixas de água no subsolo para captar o excedente de torneiras e bebedouros para ser reaproveitado. Segundo Emerson Paraguassú, gerente de Obras, a empresa adotou novas tecnologias, como argamassa industrializada e reduziu o uso de água. A fabricante de sistemas de freios Wabco, de Sumaré (SP) está na fase final de um projeto de reúso de água. A meta é reduzir o consumo em 40%. /M.C. e C.S.

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