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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Empresas adotam sistema de inovação aberta

Área de pesquisa independente torna processos mais ágeis

, O Estadao de S.Paulo

24 de fevereiro de 2009 | 00h00

Nascida na incubadora da Universidade de São Paulo (USP), a empresa de tecnologia farmacêutica Incrementha é diferente de suas companheiras de casa. O empreendimento não foi criado por jovens pesquisadores, mas por iniciativa de duas grandes companhias. Além de dinheiro, os laboratórios Biolab e Eurofarma deram apoio jurídico, regulatório e administrativo ao negócio. Com três anos de vida, a jovem empresa deve entregar os primeiros produtos ao mercado no próximo ano.A trajetória da Incrementha é exemplo de um modelo de inovação que começa a ganhar corpo entre empresas brasileiras. Na "inovação aberta", as companhias pesquisam e desenvolvem novos produtos externamente, por meio de parcerias com outras empresas ou instituições. Abrindo-se para as ideias de fora, elas acreditam que podem obter inovações melhores, mais baratas e em menos tempo. No País, Natura, Embraer e Procter & Gamble, entre outras, adotam o modelo. Segundo o diretor administrativo da Incrementha, Mário Tadeu Souto, separar a área de Pesquisa e Desenvolvimento é uma vantagem. "Uma empresa pequena tem agilidade e não fica subordinada à estrutura pesada de uma grande companhia", afirma. Outro ponto positivo, segundo Souto, é a proximidade com universidades e centros de pesquisa, celeiros científicos no País. Essa aproximação já trouxe frutos para a Incrementha, que mantém um acordo com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS) para desenvolvimento de produtos com nanotecnologia. No ano passado, Biolab e Eufarma investiram R$ 7 milhões na empresa - outros R$ 8,5 milhões estão previstos para este ano. Com o dinheiro, a incubada da USP trabalha em dez projetos.A indústria farmacêutica nacional Cristália colocou no mercado, no ano passado, o primeiro produto nascido a partir de inovação aberta. Há oito anos trabalhando com parcerias, a empresa tem 25 projetos em andamento. O diretor de inovação da Cristália, Roberto Debom, explica que o laboratório dá apoio econômico e jurídico enquanto os projetos são desenvolvidos. "Só fazemos a transposição para nossa empresa quando precisamos de uma escala maior de produção para testes ou comercialização."IMPULSOEste ano, o conceito de inovação aberta deve ganhar impulso. Em abril, o Instituto Inovação, empresa de gestão da inovação de Belo Horizonte (MG), lança a Inventta, plataforma que vai cadastrar tecnologias e demandas e buscar a aproximá-las. "Os processos vão acontecer em maior escala", prevê o diretor de operações da Inventta, Felipe Matos.Em setembro, o instituto já havia firmado uma aliança com duas redes internacionais com essa intenção. As plataformas Ninesigma e InnoCentive conectam quase 300 mil cientistas, empreendedores e pesquisadores. Procter & Gamble, Unilever e Philips são algumas das empresas que utilizam a ferramenta online.

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