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Empresas ainda não estão tão atentas à questão da diversidade e da inclusão racial

Investidores que quiserem gerar alguma mudança podem fazer aportes em fundos que tenham esse viés, pois estes provocam empresas a buscar melhor gestão

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2021 | 04h00

Os investimentos em empresas com práticas ESG estão crescendo em todo o mundo, e os fundos de investimento colocam em evidência essa questão em suas estratégias. Observam-se facilmente ações concretas na direção das questões climáticas, mas isso não ocorre com tanta força no aspecto de governança e, menos ainda, no aspecto social. Particularmente, quando falamos de inclusão. 

Embora muitas empresas admitam a importância e os benefícios de montar uma equipe com diversidade, o que vemos é que a prática está longe do discurso. Nos conselhos das empresas, por exemplo, a diversidade ainda está distante do ideal. Pesquisa publicada neste ano pela parceria entre ABRH-SP, IBGC e Sistema B mostra que 77% das empresas pesquisadas não têm metas para ampliar a participação de negros na liderança, seja no conselho, seja na diretoria, além de não haver menção alguma sobre mulheres negras ocupando algum desses espaços. 

O Índice de Equidade Racial Empresarial (Iere), publicado pela Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, mostra que nos cargos de diretoria e conselhos os homens negros representam hoje apenas 3,3%, enquanto as mulheres negras, 0,8%. 

Essas e outras pesquisas mostram que, mesmo buscando atender as questões de atenção ESG, as empresas não estão atentas à questão da diversidade, particularmente a da inclusão racial. No entanto, muitos podem se perguntar: o que eu, individualmente, posso fazer? Uma primeira resposta vem do fato que desde o início da pandemia os dados internacionais mostram que os investidores estão mais interessados em fazer investimentos de impacto, principalmente aqueles que beneficiam as pessoas negras. 

O fato é que investimentos de impacto e/ou que atendam efetivamente ao ambiente ESG têm impacto sobre a discriminação social. Podemos investir em organizações e empresas que buscam impactar a sociedade com ações inclusivas. Mas podemos, também, investir em fundos que tenham esse viés. 

Os fundos acabam provocando as empresas a buscar melhor gestão na direção da inclusão e diversidade. As empresas, também, obtêm benefícios desse movimento, há evidências de que uma força de trabalho mais diversificada pode levar a uma maior lucratividade corporativa. O fato é que a maneira que decidimos investir nosso dinheiro pode provocar mudanças na sociedade. Tenha certeza de que você pode fazer a diferença. O ex-presidente americano Barack Obama, quando da visita ao Brasil em 2017, disse uma frase de muito impacto e importância: “A diversidade é uma fonte de força. Não é caridade. Não é a coisa certa a se fazer. É a coisa inteligente a se fazer”. 

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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