Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Empresas ampliam home office e repensam custos

Fleury colocará 30% da área administrativa em home office em tempo integral; advogado troca aluguel por digitalização

Fernando Scheller e Vinícius Neder, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2020 | 22h00

Não é difícil encontrar empresas que estão repensando a relação com o espaço corporativo. No laboratório Fleury, a ordem é unir operações que hoje estão espalhadas por São Paulo. A companhia está construindo um novo edifício de 12 andares na da capital paulista, que deverá ficar pronto em 2022. Muitos dos trabalhadores da empresa, porém, sequer chegarão a colocar os pés na nova sede.

Isso porque a adoção do home office pela área administrativa do Fleury, que hoje reúne 1,4 mil trabalhadores, será intensa: 30% dos trabalhadores trabalharão em tempo integral de suas próprias residências. E os 70% restantes deverão ir ao escritório de duas a três vezes por semana. Com a pandemia, a nova sede já passou por uma revisão. O espaço das mesas individuais foi reduzido para 20% da ocupação total, segundo o diretor executivo de pessoas e sustentabilidade, Eduardo Marques.

Como a empresa prevê crescimento de seus laboratórios nos próximos dois anos, o executivo diz que é bem provável que, ao longo do tempo, um porcentual cada vez maior da área ocupada por funções de apoio (mais adaptáveis ao home office) seja cedido à central de análises de exame, que exige um espaço corporativo controlado.

Tecnologia

O escritório Moraes Pitombo Advogados reduziu drasticamente seu espaço em São Paulo: trocou um imóvel de 1 mil m² na Vila Olímpia por um de 270 m² na Faria Lima. A adoção do home office, que era ocasional, fará parte do dia a dia. “Fizemos uma pesquisa, e 85% dos funcionários disseram querer trabalhar em casa”, conta o sócio Antônio Pitombo.

A economia com a mudança – que será de 66% – será revertida a outras áreas. “Estamos formatando uma biblioteca digital, investindo em segurança da informação e tecnologia. Troquei custo por investimento.”

Cada vez mais empresas adiam volta ao escritório

Com o controle da pandemia de covid-19 ainda distante, a volta aos escritórios no mundo corporativo está ficando para depois, mostra uma pesquisa da consultoria KPMG. Um quarto (26%) dos empresários entrevistados entre junho e julho acredita que a volta aos escritórios ficará mesmo para 2021. Na primeira edição do levantamento (abril e maio), apenas 9% apostavam numa volta só em 2021.

Na última semana, a diretoria da Dafiti, loja online de vestuário, tomou a decisão de marcar a volta aos escritórios apenas para o ano que vem. Até então, os cerca de mil funcionários colocados em home office – de um total de 2,8 mil – vinham sendo informados aos poucos sobre a continuidade do trabalho remoto. Segundo Eduarda Perovano, diretora de recursos humanos, foram dois motivos principais para o adiamento: o home office está funcionando e houve adesão dos funcionários.

Uma pesquisa interna mostrou que 90% deles se sentem confortáveis trabalhando de casa.

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