Empresas apostam em residências de até R$ 100 mil

Oferta desse tipo de moradia ainda é reduzida, mas crédito farto deve ampliar número de lançamentos

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Impulsionadas pelo crédito farto de longo prazo e pelo grande volume de recursos arrecadados com a abertura de capital, as empresas do setor imobiliário apostam no mercado da moradias econômicas, que custam menos de R$ 100 mil e cuja prestação equivale ao aluguel.A oferta desse tipo de imóvel ainda é pequena e não chega a 20% a 30% do total colocado no mercado, mas deve crescer, se forem levados em conta os planos das construtoras, incorporadoras e imobiliárias. Aliás, esse é o foco da maioria das 220 empresas que participam da 2ª edição do Salão Imobiliário de São Paulo, que começa hoje na capital paulista.Ainda este ano, a incorporadora e construtora Rodobens, por exemplo, estréia no mercado de condomínios de casas que custam menos de R$ 60 mil, diz o diretor da empresa, Jamil Nassif. Ele conta que tem terrenos disponíveis para executar esse tipo de projeto nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso.''''Cerca de 30% do déficit habitacional projetado em 7,8 milhões de moradias no País está na baixa renda'''', calcula. Nassif observa que anteriormente não havia linhas de crédito com prazo de 30 anos e taxas de juros diferenciadas para a compra desse tipo de imóvel. Também os recursos para as construtoras executarem os projetos eram escassos. A empresa abriu o capital no começo deste ano.Ontem, por exemplo, o Banco Santander ampliou de 20 para 30 anos o prazo dos financiamentos para compra de imóveis com prestações fixas e atualizadas, seguindo a iniciativa da Caixa, que ocorreu há menos de dois meses. Em maio, foi a vez de a companhia hipotecária Brazilian Mortgages esticar para 30 anos o prazo para compra da casa própria nos financiamentos que têm como o garantia o próprio imóvel.A construtora Tecnisa, que era voltada para os estratos médio e alto, passou a diversificar os mercados depois da abertura de capital. De acordo com a companhia, cerca de metade dos lançamentos previstos para os próximos 18 meses serão destinados aos segmentos de médio e baixo padrão.A Itaplan é outra empresa do setor que aposta no segmento econômico. Metade do seu faturamento neste ano será proveniente do segmento econômico, conta o diretor da companhia, Fábio Rossi Filho. Em 2006, lembra, a participação do segmento foi de 40%.''''O volume de lançamentos para baixa renda em São Paulo ainda é pequeno, não chega a 20% ou 30%'''', diz o presidente da incorporadora e construtora Goldfarb, Milton Goldfarb. ''''É um segmento novo'''', observa o executivo. Das 10 mil unidades que a companhia pretende lançar no ano que vem, 30% estão na faixa de R$ 70 mil.Goldfarb ressalta que não se trata de uma explosão do mercado de imóveis econômicos. Ele diz que há obstáculos para que isso ocorra, como a oferta restrita de terrenos e o fato de nem sempre as construtoras terem a tecnologia adequada.

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