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Empresas bancam festa da ANTT

Agência é quem regula e fiscaliza as concessionárias de transportes

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

Na noite de 18 de fevereiro, um jantar nas elegantes instalações do Clube do Exército, às margens do Lago Paranoá, em Brasília, comemorou os sete anos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), cuja função é regular a atuação das concessionárias de ônibus, ferrovias e rodovias. Detalhe: a comemoração foi bancada justamente por quem a ANTT deve fiscalizar.Na lista de patrocinadores estão a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística). Foram convidados os cerca de mil funcionários e colaboradores da ANTT, que ainda puderam levar um acompanhante.A agência informou que a festa não feriu seu código de ética porque quem pagou a conta não foram as empresas por ela fiscalizadas, mas as entidades que as representam. Abrati e ANTF informaram que a iniciativa foi das entidades, mas não responderam se consideram ético o patrocínio. A ABCR e a NTC não se pronunciaram.MOEDA DE TROCAEssas entidades congregam as principais interessadas nos negócios bilionários sob a batuta da ANTT. No momento, a agência elabora as regras da concorrência que vai entregar 2.066 quilômetros de rodovias federais em Minas Gerais e Goiás às concessionárias privadas, que vão investir cerca de R$ 8 bilhões em obras de duplicação, recuperação e manutenção. Em troca, elas cobrarão pedágio. O edital com as regras do leilão deverá ficar pronto em abril.A ANTT conduz outra empreitada de peso: licitar novamente 98,5% das linhas de ônibus interestaduais e internacionais em operação no País. As licenças para as empresas que hoje operam essas linhas expiraram em outubro. Elas estão trabalhando amparadas em uma licença especial, mas terão de entrar no leilão para manter esse direito. O negócio movimenta R$ 3,1 bilhões ao ano.Apesar de desempenhar tarefas importantes, a ANTT é tratada pelo governo como moeda de troca. A festa no Clube do Exército marcou também o fim do mandato do diretor Noboru Ofugi, engenheiro com longa carreira em planejamento de transportes. Seu substituto deverá ser escolhido pelo líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF) - o mais cotado é um assessor do senador Ivo Borges de Lima. Ao Estado, ele informou que não tem experiência nenhuma no setor, exceto pelo fato de ter chefiado a rodoferroviária (terminal de ônibus interestaduais e de trem) de Brasília. É tesoureiro do PTB local. Se for mesmo indicado, Lima será sabatinado no Senado.Nos bastidores, a explicação para esse fenômeno é simples: o governo ofereceu o cargo ao PTB com o intuito de moderar o apetite do partido por postos mais importantes.

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