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Empresas brasileiras agora investem na aquisição de estrangeiras no País

Após se internacionalizarem, grupos nacionais aproveitam crise nos países ricos e avançam nas subsidiárias brasileiras de multinacionais 

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo,

24 de dezembro de 2011 | 17h05

Favorecidas pela crise global, as empresas brasileiras não só estão se internacionalizando, mas também começaram a avançar sobre as estrangeiras no País. Estudo inédito feito pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet) revela que as companhias brasileiras desembolsaram US$ 27,5 bilhões desde 2008 até novembro deste ano para comprar ativos de empresas estrangeiras no Brasil.

A cifra é um pouco menor do que a que foi gasta com a internacionalização das companhias brasileiras no mesmo período para comprar ativos no exterior (US$ 32,6 bilhões). No entanto, o resultado é importante porque sinaliza uma nova tendência, de acordo com o estudo feito com base em 850 fusões e aquisições.

Os negócios envolveram empresas brasileiras como compradoras, vendedoras ou alvo. Neste último caso, o Brasil não é nem comprador nem vendedor, mas sedia o ativo que é objeto da negociação.

"O resultado foi surpreendente. Superou o que eu imaginava", afirma o vice-presidente da Sobeet, Reynaldo Passanezi, economista responsável pelo estudo. Ele observa que, anteriormente, o que se via apenas era o movimento de internacionalização das multinacionais brasileiras.

Crise. "Comecei a observar e constatei que as empresas brasileiras estavam não só indo às compras no exterior, mas também adquirindo estrangeiros no Brasil, num claro sinal de fortalecimento da sua situação financeira", diz o economista. Na opinião dele, o que desencadeou esse movimento de compra pelas brasileiras de ativos das estrangeiras foi a crise nos países de origem dessas companhias.

Tanto é que os dados do estudo mostram que houve uma grande concentração de negócios em 2010 e 2011, até novembro. Nesses dois anos, ocorreram cerca de 60% dessas transações, considerando-se os valores envolvidos. "Acredito que essa tendência continue não só enquanto a crise persistir. Isso porque há interesse das estrangeiras de ‘consertar’ as matrizes, investindo mais recursos em seus países de origem."

Outro dado do estudo que reforça esse movimento é o que mostra que as principais regiões vendedoras de ativos foram aquelas mais atingidas pela crise econômica atual. Entre compra e venda nesse período de quatro anos, as empresas americanas desinvestiram US$ 17 bilhões em transações envolvendo empresas brasileiras. Também Portugal e Espanha, juntos, venderam US$ 6,7 bilhões de ativos. Já o saldo líquido das empresas brasileiras foi positivo em US$ 13,6 bilhões, isto é, elas mais compraram do que venderam.

O principal comprador estrangeiro de empresas brasileiras agora é a Ásia, basicamente China e Japão, com foco em empresas voltadas para recursos naturais, como petróleo e minério de ferro. Juntos, esses países adquiriram US$ 23,6 bilhões de ativos a mais do que venderam em 4 anos, superando em US$ 10 bilhões o saldo das empresas brasileiras no mesmo período.

Liquidez. Uma combinação de fatores, na análise de Passanezi, contribui para que os ativos no Brasil sejam rapidamente vendidos. Além do grande potencial do mercado local, é fácil vender ativos aqui em razão da estabilidade econômica e da segurança jurídica.

O fato também de as empresas brasileiras terem hoje capacidade de buscar recursos no mercado interno e externo a custo praticamente equivalente ou até menor do que empresas estrangeiras dá mais capacidade a essas companhias de irem às compras.

O economista destaca que esse movimento constatado pelo estudo não é uma nacionalização das empresas estrangeiras, pois a tendência de internacionalização continua. Na época das privatizações, na década de 90, lembra o economista, só tinha venda de empresas brasileiras e os estrangeiros eram os grandes compradores. "Agora é um movimento mais equilibrado", diz o economista. 

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