finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Empresas brasileiras de tecnologia se prepararam para abrir capital nos EUA

Ao menos cinco companhias, entre elas Netshoes e Bebê Store, teriam iniciado tratativas para fazer uma oferta de ações no mercado americano em 2015

FERNANDA GUIMARÃES, DAYANNE SOUSA , O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2014 | 02h06

As bolsas de valores dos Estados Unidos poderão ter, a partir de 2015, a primeira representante brasileira do setor de tecnologia e internet. Empresas com esse perfil começaram a reunir esforços para abrir capital, permitindo a "saída" de investidores e a captação de recursos com o objetivo de impulsionar o crescimento no mercado brasileiro. Conforme apurou o 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado', ao menos cinco companhias com esse perfil iniciaram tratativas para acessar o mercado americano.

Com o cenário negativo para ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) no Brasil e a percepção de que o mercado brasileiro tem menos apetite por operações desse segmento, as companhias do setor estão sendo cortejadas pelas bolsas de valores dos EUA, que oferecem liquidez e interesse de fundos focados em tecnologia.

"Há muita conversa na América Latina, para as empresas entenderem os processos e os benefícios de listar ações em Nova York", disse Alex Ibrahim, vice-presidente para a América Latina da New York Stock Exchange (Nyse), onde estão listadas 32 companhias brasileiras - nenhuma do setor de tecnologia. Desde novembro de 2012, nenhuma companhia do País recorre à bolsa de Nova York para lançar sua oferta. A última foi a BrasilAgro.

Já a Nasdaq, conhecida por abrigar empresas de tecnologia, tem apenas uma brasileira listada, a Garnero Group, que possui como finalidade realizar operações como fusões e aquisições e não é do setor de tecnologia.

Nos EUA, a listagem de empresas de internet ou tecnologia está aquecida neste ano, que já é o melhor desde 2000, segundo dados da Dealogic.

Segundo Ibrahim, as empresas da região ficaram animadas após a oferta da argentina Globant, do setor de TI, que levantou US$ 59 milhões na Nyse em julho deste ano. Também está em curso a oferta da Atento, companhia de call center com presença dominante na América Latina.

Candidatas. A Decolar.com,empresa que tem como acionista o fundo de private equity General Atlantic e o Tiger Global Management, já consulta o mercado sobre a possibilidade de uma abertura de capital ou no Brasil ou na Nasdaq desde 2013, segundo fontes. "No meio do ano que vem, a empresa deve estar pronta para acessar o mercado", disse uma das fontes. Alípio Camanzano, diretor da Decolar.com e responsável pela operação brasileira, disse que a companhia pode realizar seu IPO em algum momento nos próximos dois anos e que a Nasdaq seria uma escolha natural. O momento ideal para uma abertura de capital, porém, dependerá do comportamento do mercado.

Outro grupo que cresceu após o aporte de fundos é o Bebê Store, de produtos para bebês e gestantes. A companhia recebeu R$ 30 milhões dos fundos W7 Venture Capital e Atômico. Em junho, a empresa comprou a concorrente Baby.com.br e vem sendo apontada como candidata para fazer o IPO.

"Estamos fazendo uma pesquisa para conhecer melhor os mecanismos e opções que o mercado de capitais oferece no Brasil e fora, mas não temos nada definido no curto prazo", disse o presidente Leonardo Simão. No e-commerce de moda, a Dafiti já vinha estudando o mercado para uma abertura de capital até anunciar, na última semana, uma fusão com outras quatro empresas do segmento Jabong (Índia), Lamoda (Rússia), Namshi (Oriente Médio) e Zalora (sudeste asiático e Austrália), formando o Global Fashion Group. O CEO da companhia brasileira, Philipp Povel, diz que uma abertura de capital "permanece sendo uma boa opção".

No início do ano, a rede de artigos esportivos Netshoes chegou perto de um IPO, mas as condições desfavoráveis no mercado afastaram a ideia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.