Empresas brasileiras descobrem o Twitter

Serviço de microblogs começa a ser usado como ferramenta de marketing

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

22 de fevereiro de 2009 | 00h00

Mais uma onda surgida entre aficionados por internet e tecnologia começa a despertar a atenção e os investimentos do mundo corporativo. Com crescimento de 900% em tráfego nos últimos 12 meses, a rede de microblogs Twitter tornou-se também assunto de empresários, publicitários e empreendedores - até mesmo no Brasil. A plataforma que permite a um usuário publicar mensagens curtas (até 140 caracteres) e formar uma rede de seguidores nasceu há três anos e tem hoje cerca de 7 milhões de adeptos, que acessam ou recebem as mensagens por e-mail, celular ou sites específicos. São Paulo já é a quarta cidade que mais usa o Twitter, depois de Londres, Nova York e San Francisco, informou recentemente Biz Stone, um dos fundadores da rede.A ferramenta tornou-se tão popular que atrai investimentos mesmo nestes tempos de crise. Há duas semanas, os fundadores da rede divulgaram ter recebido um novo aporte das empresas Benchmark e Institutional Venture Partners - o valor não foi revelado, mas as estimativas eram de que chegaria a US$ 35 milhões.Nos negócios, o uso da ferramenta vem se disseminando. A rápida troca de informações que a plataforma permite inspirou empresas como Dell, Motorola, Panasonic e Jet Blue nos Estados Unidos. Ao menos 36 das 100 maiores empresas do país, pelo ranking da revista Fortune, usam o Twitter. As aplicações variam: vão desde divulgação de promoções até suporte técnico a consumidores.Pioneira, a fabricante de computadores Dell começou em 2007. No Brasil, a empresa lançou seu microblog na semana passada. A companhia estreou anunciando uma promoção de notebooks especial para o carnaval. Além de ofertas, o canal deverá ter informações sobre lançamentos.Atualmente, a Dell está conectada com 60 mil pessoas no mundo, em diferentes contas do Twitter. "Acreditamos que esse número vai parecer pequeno no futuro", afirmou ao Estado o vice-presidente de Comunidade e Conversações da Dell mundial, Bob Pearson.Com 30 mil "seguidores", uma das contas mais populares da Dell no Twitter informa sobre promoções na loja de ponta de estoque da empresa. Em outra página, um funcionário dá dicas técnicas sobre os laptops da marca. A estratégia já rendeu US$ 1 milhão em vendas para a companhia, afirma o executivo.EXPERIÊNCIANo mercado brasileiro, o uso corporativo do Twitter ainda segue a linha experimental. Fiat, Telefônica (por meio do portal Terra) e Brastemp utilizaram microblogs em campanhas específicas. A rede varejista Wal-Mart criou uma conta como parte de sua estratégia de vendas online. Poucas empresas, como a construtora Tecnisa, adotaram a novidade como uma ferramenta permanente de marketing. "Usamos para comunicar lançamentos e novidades", diz o diretor de marketing da Tecnisa, Romeo Busarello. O executivo admite, porém, que o público que acompanha a empresa no Twitter, de 300 pessoas, não é o mesmo que visita seus estandes de venda. "Tenho consciência de que não vou vender apartamento pelo Twitter." Muitos dos "seguidores" da Tecnisa são blogueiros, publicitários e profissionais do mercado imobiliário, afirma Busarello. "O Twitter nos ajuda a formar opinião no mercado. Somos comentados junto a um público antenado." A empresa foi uma das primeiras a entrar no mundo virtual do Second Life, há dois anos. A experiência, porém, não rendeu frutos. Meses depois, a Tecnisa abandonou o Second Life - assim como várias outras empresas.Para David Reck, diretor da agência especializada em mídia digital Enken, a grande diferença do Twitter para o Second Life é que a plataforma de microblogs não exige grandes investimentos das empresas. A linguagem de programação do mundo virtual obrigava as companhias a contratar técnicos de computação. Segundo o especialista, o Twitter também traz um benefício imediato - e um dos poucos mensuráveis - para a empresa: a melhora no posicionamento em sites de busca como o Google. "O Twitter aumentou nosso tráfego na internet, a custo zero", diz Busarello.No entanto, também há riscos na estratégia. Segundo David Reck, as empresas não podem perder de vista uma das premissas do Twitter - a de que um usuário só recebe mensagens das contas que autoriza. "Não convém seguir e ser seguido por pessoas sem uma conexão com o assunto ou setor abordados. Isso pode até prejudicar a marca."A jornalista Bia Granja, de 28 anos, usuária há dois anos, tem uma das contas mais populares do Twitter no Brasil: mais de 1.900 pessoas a seguem. Mas poucas empresas conseguiram despertar seu interesse. "Muitas ainda não sabem como usar, publicam coisas que interessam a elas, e não ao usuário", comenta. A única experiência positiva com um Twitter corporativo, segundo Bia, foi no ano passado. A paulistana acompanhou a conta do portal Terra, do grupo Telefônica, que promovia um evento em São Paulo. Por meio de um microblog, a empresa informava sobre as condições de trânsito e disponibilidade de ingressos. "A prestação de serviço é uma boa alternativa às companhias", diz Bia.

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