Empresas brasileiras devem ser as ''''queridinhas'''' por um bom tempo

Papéis de companhias como CSN, Petrobrás e Vale tiveram valorização de 100% ou mais em um ano

Patrícia Campos Mello e Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

As ações de empresas brasileiras nos Estados Unidos vão manter o título de "queridinhas" dos investidores por algum tempo, na opinião de especialistas. Segundo Luiz de Salvo, diretor de Renda Variável do banco de investimentos Merrill Lynch, os papéis de empresas de países emergentes vêm tendo desempenho melhor que o de outros títulos desde 2004.As ADRs do Brasil, em especial, beneficiaram-se dos altos preços das commodities, da inflação baixa, do câmbio valorizado, dos juros em queda e da melhora nos fundamentos macroeconômicos do País. Salvo acredita que o interesse dos investidores internacionais por títulos de empresas brasileiras vai continuar em alta. "As perspectivas para o Brasil são boas porque os fundamentos continuam melhorando, está aumentando a liquidez do mercado acionário local e há perspectiva de fortalecimento de vários setores por causa do maior acesso das empresas brasileiras a lançamentos iniciais de ações e emissão de debêntures", diz Salvo, que trabalha com ADRs do Brasil há sete anos, em Nova York. Na comparação com títulos de empresas mexicanas, por exemplo, as ADRs brasileiras são mais atraentes porque a economia mexicana é muito dependente dos Estados Unidos e o mercado de capitais brasileiro é mais sofisticado. Segundo dados da Bloomberg News, a oferta de ações brasileiras, tanto no mercado doméstico quanto nos EUA, chegou a US$ 39,6 bilhões em 2007 (dados até novembro), em comparação com US$ 16 bilhões em 2006 e US$ 11,3 bilhões em 2005. Além disso, o mercado aposta que o Brasil será elevado ao status de grau de investimento pelas agências de classificação de risco em 2008 ou 2009. Por isso, está comprando ações agora, contando com a valorização quando a melhora da nota de risco chegar. Segundo Salvo, o Brasil também se beneficiou da percepção de que o países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) vão se manter como os mercados de melhor desempenho por causa de suas economias diversificadas, grande população, razoável base de investidores locais e crescimento do PIB mais acelerado. "As ADRs dos países do BRIC vão se manter como as mais atraentes entre os emergentes", acredita. Entre as ADRs brasileiras, ele destaca a PBR (Petrobrás), RIO (Vale do Rio Doce), ITU (Banco Itaú), BBD (Banco Bradesco) como as mais líquidas e pontos de referência para o Brasil. A maior valorização entre as empresas brasileiras foi da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com 143% de alta em um ano. Em segundo está a Vale, com 140%, seguida pelo aumento de 100% na Petrobrás. Nos últimos cinco anos, tanto a Petrobrás como a Vale estiveram entre as empresas com melhores resultados entre todas listadas nos últimos cinco anos. Outros resultados de peso foram da Gerdau, com 86%, e da Sadia, com 84%. As ações da Votorantim subiram 69%, ante 62% da Ultrapar e 61% do Unibanco.Na semana passada, a Net Serviços foi a primeira empresa brasileira a abrir o pregão da Bolsa Eletrônica de Nova York (Nasdaq). O evento marcará os 11 anos de abertura de capital da empresa e de suas ações nessa bolsa. Em 2007, durante os três primeiros trimestres, a NET faturou R$ 2 bilhões.

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