Empresas brasileiras em lista de inovadoras

Mais dois grupos do País terão ajuda do Instituto Endeavor para crescer

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 00h00

O Instituto Empreender Endeavor, ONG internacional que busca o desenvolvimento empresarial para incentivar o crescimento econômico, selecionou recentemente 15 novos membros em sua última reunião, no México. São empresas de pequeno, médio e grande portes que, na avaliação da ONG, têm grande potencial de desenvolvimento.Dessas, duas são brasileiros: a Ângelus, fabricante de produtos odontológicos, e a Tecno Logys, empresa de soluções para a construção civil. A seleção envolveu mais de 500 empreendedores do mundo inteiro. "Foram para a última etapa somente aqueles que estão à frente de negócios inovadores, com potencial de crescimento e que sejam exemplos para o seu setor e para a sociedade, como é o caso das duas brasileiras", diz Paulo Veras, diretor-geral do Endeavor no País.O encontro no México contou com a participação de grandes empresários - como Emilio Azcárraga, presidente do comitê-executivo da Televisa, e Edgar Bronfman Jr., presidente da Warner Music. Era preciso a unanimidade desses avaliadores para que a entrada das empresas para o Instituto fosse aprovada."Dá um certo nervosismo", diz Roberto Alcântara, um dos sócios da Ângelus. "Mas a preparação foi grande no Brasil, não havia como não dar certo." A Ângelus surgiu há 13 anos, quando o então dentista Roberto e sua esposa Sônia resolveram criar produtos para usar no consultório. "Toda vez que precisava de pinos dentários, por exemplo, tinha de fazê-los artesanalmente. Resolvemos criar um modelo pré-moldado, que necessitasse apenas ser adaptado a cada paciente."Dos pinos em metal, vieram os de fibra de vidro e carbono e outros produtos. Hoje, a Ângelus exporta para 53 países. "Já temos bons produtos. Agora, com a ajuda do Endeavor, queremos focar na expansão, especialmente internacional. Escolheremos mercados-alvo, em vez de vender para todo canto." Alcântara não comenta o faturamento da Ângelus, mas diz que até o ano que vem sairá do pequeno porte (faturamento anual até R$ 2,4 milhões) para o médio.CONSTRUÇÃOA outra empresa selecionada, a Tecno Logys, atua em uma área bem diferente. "Criamos soluções para a construção civil", diz o presidente da empresa, Valério Dornelles. Para evitar os desperdícios da construção, por exemplo, a Tecno Logys criou blocos para construção de paredes que já vem com espaço para canos e fios. "Quando a parede é projetada, já enviamos as peças necessárias para que ela não seja feita e refeita várias vezes", explica. Esse é o carro-chefe da empresa, que também criou sistemas de transporte de argamassa por gravidade e outras idéias específicas para projetos diferenciados. "O sistema de argamassa nós patenteamos. Mas, basicamente, consiste em fazê-la no andar mais alto e deixar descer sozinha, em vez de desperdiçar tempo e produto fazendo-a no térreo e carregando até o alto." Dornelles já teve outras empresas, mas até então nunca havia se dado por satisfeito. "Continuei estudando e pesquisando. Fiz mestrado em engenharia, trabalhei em outras construtoras até criar minha própria empresa." Ele acredita que entrar para o grupo do Endeavor será essencial para o crescimento da empresa. "Até agora, a empresa cresceu bem. Mas ou ela pararia no porte atual para sempre, ou dava um salto. E pra esse salto, preciso de ajuda."Nas etapas preparatórias, ele conta que algumas conversas com especialistas convidados pelo Instituto ajudaram a firmar as metas da empresa. "Ouvi do Emílio Odebrecht que deveria focar mais no desenvolvimento de idéias, não na realização das obras", conta o empresário. "Quantas pessoas que atuam em construção civil tiveram esse privilégio?"A partir de agora, essas duas empresas terão acompanhamento em tempo integral do Endeavor, o que inclui acesso a aconselhamento de gestão, jurídico, de comunicação e negócios. Diversos empresários, como Emílio Odebrecht e Artur Grynbaum (do Boticário) estão entre os nomes que participam das reuniões de aconselhamento. "A cada seis meses, sentamos com os empresários e vemos quais suas necessidades, como podem crescer e quais seus pontos mais fortes e mais fracos", diz Veras.

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