Empresas brasileiras lucram 8,6% menos

Sem a Vale, que teve queda de 60% no lucro no terceiro trimestre, porém, grupos de capital aberto tiveram ganho 3% maior

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h05

O lucro das empresas brasileiras de capital aberto teve queda de 8,6% entre julho e setembro, de acordo com a consultoria Economática. O resultado total somou R$ 37,8 bilhões, contra R$ 41,4 bilhões do terceiro trimestre do ano passado. Excluídos, porém, os números da mineradora Vale, que viu seu lucro cair quase 60% no período, a comparação mostra uma evolução de 3% nos resultados das companhias analisadas. Foram compilados dados de 327 companhias abertas.

Apesar da forte queda em seu resultado, a Vale ainda figurou entre as três companhias com o maior lucro absoluto entre julho e setembro. A mineradora ficou na terceira posição, com resultado positivo de R$ 3,33 bilhões. As duas primeiras colocadas - Petrobrás e Itaú - também tiveram reduções na linha final de seu balanço. O lucro da petrolífera caiu 12% (para R$ 5,57 bilhões), enquanto o do banco teve retração de 11,4% (para R$ 3,37 bilhões).

O maior prejuízo de julho a setembro foi registrado pela OGX, petrolífera do grupo de Eike Batista. A empresa fechou o trimestre com perda de R$ 343 milhões, seguida da companhia aérea Gol (R$ 309 milhões) e da empresa de energia paraense Celpa (R$ 233 milhões), que está em recuperação judicial.

De uma maneira geral, no entanto, o resultado das empresas não pode ser considerado negativo, apesar da queda nos lucros de algumas das principais gigantes nacionais. Entre os 22 setores da economia analisados pela Economática, 10 registraram queda nos lucros. Quando se exclui o resultado da Vale, as demais 326 empresas tiveram uma lucratividade de R$ 34,5 bilhões no terceiro trimestre de 2012, o que representa R$ 1 bilhão a mais em relação ao mesmo período de 2011.

Influências. Segundo o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, embora os resultados das empresas tenham mostrado desaceleração em 2012, este não é o fator preponderante para a desconfiança dos investidores em relação à bolsa brasileira ao longo de 2012 - ontem, a valorização do Ibovespa, principal índice da BM&FBovespa, estava próximo de zero. "Acho que o desânimo está mais ligado à expectativa de resultados futuros, especialmente por causa da crise na Europa", diz Agostini.

Segundo um estudo da Austin Rating divulgado na semana passada, a rentabilidade das companhias continua alta - supera a Selic, taxa básica de juros, que atualmente está em 7,25% ao ano. Com base nos dados de 282 empresas, a Austin detectou que a rentabilidade ficou em 10% entre janeiro e setembro de 2012, contra 14,4% do mesmo período do ano passado.

A queda da rentabilidade foi menor do que o desaquecimento da economia: o PIB passou de 7,5% em 2011 para menos de 2% este ano. A manutenção da rentabilidade mostra, segundo Agostini, que as empresas estão controlando custos e preocupadas com a eficiência. Mas algumas delas têm sido afetadas por fatores externos. É o caso da Eletrobrás, que já caiu quase 60% depois do anúncio de novas regras para as concessões do setor de energia.

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