Empresas buscam governança corporativa

Aumenta o número de empresas com ações na bolsa que caminham contra o encolhimento do mercado e tentam diferenciar-se das demais oferecendo mais garantias e proteção ao acionista. A iniciativa deu origem à busca pela boa governança corporativa, de que fazem parte companhias que adotam práticas de transparência conferem mais direitos a acionistas minoritários. As inovações beneficiam o investidor, que tem mais proteção e garantia em caso de venda da empresa e mais conhecimento do que ocorre nas empresas das quais detém ações. A boa receptividade no mercado levou também à valorização dessas ações. Para acomodar essa nova categoria de empresas, foram criados três selos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa): o Nível 1 (com 20 empresas), o Nível 2 (ainda sem nenhuma) e o Novo Mercado (com duas), assim classificados de acordo com o grau de responsabilidade da empresa com o acionista. O Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC), que mede o comportamento dos papéis dessas empresas, apresenta uma valorização de 8,71% desde sua criação, em 26 de junho, até sexta-feira; no mesmo período, o Índice Bovespa (Ibovespa) recuou 13,27%. Segundo Fabio Anderaos, gerente de Investimentos do BancoCidade, o bom desempenho do IGC reflete a exclusão dos papéis de telecomunicações e a inclusão de poucas e boas ações. O especialista em mercado financeiro alerta, no entanto, que as ações que compõem o IGC podem ter potencial de valorização inferior às demais. "A aplicação é indicada para prazos longos pela segurança e perspectiva futura." Além disso, as empresas com boa governança corporativa podem ter baixa liquidez, ou mais dificuldade de negociação, comenta a diretora-adjunta de Relação com Investidores da Unibanco Asset Management, Júlia Reid. Mas ela aposta num aumento de interesse por esses papéis. "Os fundos de pensão podem aplicar uma parcela maior em ações, se elas estiverem no IGC, e essa regra pode vir a valer também para os fundos de renda fixa." A diretora-executiva do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Heloisa Bedicks, explica que o tema veio à tona após o caso Enron, quando poucos aplicadores conheciam os verdadeiros e problemáticos números da empresa norte-americana de energia que faliu. Para ela, atitudes que melhorem a gestão aumentam o acesso das empresas ao capital e a valorização de suas ações.

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