Empresas buscam reorganização para aproveitar preço alto

A alta nos preços da celulose, que atingiram patamares históricos de preço, negociados acima de US$ 900 no mercado internacional, motivou o "renascimento" de investimentos mesmo em empresas que foram afetadas pela crise financeira internacional - caso da Fibria, líder no mercado nacional, que produz mais de 5 milhões de toneladas de celulose por ano, e também da Cenibra.

Cenário: Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

A Fibria - resultado da união de Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP), em setembro do ano passado - tenta reduzir sua dívida para iniciar o próximo ano com grau de investimento e colocar em marcha a construção de uma nova fábrica em 2012, com vistas a uma inauguração a partir de 2014. A Cenibra, por seu turno, aguarda o "ok" de seu único acionista - o grupo japonês JBP - para reativar o investimento abandonado durante o período de maior turbulência no mercado.

Enquanto isso, três fábricas já estão confirmadas para os anos de 2012, 2013 e 2014. Novata no mercado, a Eldorado Celulose e Papel, parceria do grupo JBS com o investidor Mário Celso Lopes, quer inaugurar sua primeira unidade, de 1,5 milhão de toneladas, ainda no segundo semestre de 2012. O investimento total na unidade é de R$ 4,8 bilhões. Mas as ambições do novo grupo são maiores: o objetivo é ter três linhas de produção operando em Três Lagoas (MS) - que já tem uma fábrica da Fibria, também alvo prioritário de uma eventual expansão - até o ano de 2020.

A Suzano Papel e Celulose desenvolve dois novos projetos no Maranhão e no Piauí, a serem inaugurados em 2013 e 2014, respectivamente. Ao optar por abrir uma nova fronteira para o produto, a companhia também precisou investir na compra de novas terras para florestas na região. O investimento total, incluindo terras e plantio de eucalipto, ficará em R$ 8 bilhões para as duas unidades.

Depois de superarem a máxima histórica em maio, os preços da celulose continuam acima de US$ 900 na Europa, mas já apresentam trajetória de queda na China. A matéria-prima para a fabricação de papel era negociada ontem a US$ 823 no mercado chinês e a US$ 920 no europeu. Segundo Leonardo Alves, analista da Link Investimentos, a redução do preço na China se justifica pelos estoques altos e também pela abertura de uma nova fábrica de celulose na Indonésia.

Entretanto, as perspectivas para os próximos dois anos, afirma Alves, são de preços altos para a celulose - acima de US$ 800, na média. O analista afirma que o mercado pode comportar novas fábricas do produto, mas é importante que as unidades entrem em operação paulatinamente. Se dois projetos de grande porte, como os da Eldorado e da Suzano, entrarem em operação em um curto período de tempo, o mercado internacional pode tentar encontrar um novo balanço de oferta e procura. Desta forma, explica ele, os preços tendem a se depreciar.

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