finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Empresas começam a se ajustar

Consultoria especializada em recolocação de executivos diz que empresas já enxugam operações por causa do esfriamento da economia

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2011 | 03h02

A desaceleração do ritmo de crescimento da economia brasileira fez com que as empresas enxugassem as operações. Um quarto das demissões de funcionários que ocupam cargos de gerência e direção de grandes e médias companhias neste semestre ocorreu por causa de cortes estruturais, revela pesquisa da consultoria Produtive, especializada em recolocação de profissionais.

"O corte estrutural é o motivo alegado para demissões quando há mudanças no cenário econômico e as empresas têm de se reestruturar para enfrentar uma nova realidade", diz Rafael Souto, presidente da consultoria e responsável pela pesquisa feita com cerca de mil executivos demitidos.

No ano passado, os cortes estruturais responderam por 5% das demissões e, no primeiro semestre deste ano, essa parcela subiu para 15%. Neste semestre, atingiu 25%. Souto conta que nas últimas semanas dobrou o número de empresas que procuram a consultoria para prestar serviços de recolocação dos executivos que pretendem dispensar.

Segundo Souto, a maior fatia dos cortes por causa de reestruturações está ocorrendo na indústria. "O comércio e os serviços são menos afetados."

Comércio. De toda forma, a mudança de cenário econômico já resvalou também no comércio. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que em setembro as contratações líquidas no varejo caíram 23% em relação ao mesmo mês de 2010, perdendo só para a indústria, que teve retração de 29% nas admissões líquidas em igual período.

Sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que houve uma piora nos planos de contratações do comércio para este trimestre. O indicador de perspectiva de emprego para três meses encerrou o terceiro trimestre deste ano com retração de 4% na comparação anual. No segundo trimestre, o recuo havia sido de 3,1% ante 2010.

Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, está otimista com o emprego temporário dos comerciários neste fim de ano. No entanto, ele projeta que serão abertas no fim de ano 40 mil vagas temporárias na cidade de São Paulo. No ano passado, foram 50 mil empregos.

As Lojas Colombo, rede varejista especializada em móveis e eletrodomésticos, por exemplo, vão abrir neste fim de ano 500 vagas temporárias, cem a menos que no Natal do ano passado para o mesmo número de lojas (324). "Reestruturamos a operação e temos hoje um quadro de funcionários fixos maior", explica o diretor de Recursos Humanos da rede, Francisco Batista. Por isso, segundo ele, a contratação de temporários será menor neste Natal.

As Casas Bahia, hoje da holding Globex, não vão contratar temporários para as suas lojas neste Natal. De acordo com a assessoria da rede, a admissão de temporários estava ligada à megaloja de Natal, a Super Casas Bahia, que, pelo segundo ano consecutivo, não será realizada. A holding Globex vai admitir 2.600 temporários para as lojas Ponto Frio e para os Centros de Distribuição das Casas Bahia.

Na análise do economista da LCA, Fábio Romão, a desaceleração atual do mercado de trabalho "é uma acomodação do emprego num patamar mais baixo". Ele observa que a taxa de crescimento da população ocupada, que foi de 3,5% no ano passado, deve fechar este ano com alta de 2,2%.

"Esse movimento ainda não apareceu na taxa de desemprego ainda porque existe um crescimento real da renda que pode estar influenciando a menor procura por emprego entre as famílias." No ano passado, o rendimento real cresceu 3,8% e, neste ano, deve aumentar 3,4%, prevê.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.