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Para empresários, infraestrutura está piorando

Segundo pesquisa realizada com executivos das 300 maiores empresas do país, mesmo com o PAC, logística ficou "medíocre"

ALEXA SALOMÃO, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h04

De 2009 para cá, o governo federal investiu quase R$ 140 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Como o PAC foi, há até pouco tempo, a grande opção para tocar obras que podem destravar a logística nacional, a expectativa era que tal volume de recursos, se não sanasse, ao menos aliviasse os entraves para o transporte de carga. Na prática, porém, não foi o que ocorreu.

Segundo pesquisa do Instituto Ilos, consultoria especializada em logística, que ouviu 300 executivos da área de transporte das maiores empresas do País, a percepção piorou. A pesquisa é realizada desde 2009, a cada dois anos, e os executivos atribuem notas às condições da logística, em um intervalo que vai de zero a 10.

Em 2009, a nota foi regular: 5,2. Na versão de 2011 caiu para 5. Neste ano, desceu mais um pouco e foi para 4,8. "Nesse patamar podemos dizer que a nota indica que as condições da logística no Brasil são consideradas medíocres", diz o presidente do Ilos, Paulo Fleury.

O resultado não significa que haja novos buracos nas estradas ou que os dormentes dos trilhos estejam mais bambos que antes.

Frustração. Segundo Fleury, a pesquisa capta uma espécie de desalento. "A infraestrutura de transporte não evoluiu como o governo prometeu, frustrou expectativas e é um entrave que incomoda cada vez mais", diz Fleury.

Entre 90% e 99% dos entrevistados declaram que as deficiências na infraestrutura de transporte obriga a manutenção de estoques acima do necessário, eleva o tempo de entrega das cargas e leva a perdas de vendas, aumentando os custos.

Em alguns casos, inviabiliza investimentos. Os transtornos são provocados principalmente por estradas mal conservadas, uma malha ferroviária limitada e a falta de conexão entre os diferentes sistemas de transportes.

O PAC, nas edições 1 e 2, que foi apresentado como a solução para boa parte das deficiências, também perdeu credibilidade. Quando o programa começou a ser avaliado, em 2011, suas propostas receberam nota 6,2. Na versão atual da pesquisa, a avaliação caiu para 5,7.

Para Gil Castelo Branco, consultor do Contas Abertas, entidade que acompanha o orçamento do PAC, o próprio governo já identificou a frustração e agora tenta revertê-la priorizando as concessões.

"O PT e a base aliada não tinham a ideia clara da burocracia que envolve as obras públicas e acharam que os governos anteriores as descartaram por opção política", diz Castelo Branco.

"Os PACs 1 e 2 foram lições ricas nesse sentido e não acredito que teremos um PAC 3 se houver a reeleição, mas, infelizmente, a demora em perceber o problema teve um custo alto para o País."

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