Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Empresas correm com documentação para abrir capital ainda neste ano

Companhias estão a todo vapor para fechar os dados do terceiro trimestre e começar o ano de 2021 já capitalizadas; nos últimos 15 dias, nove empresas entraram com pedidos de IPO

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2020 | 09h00

Com as empresas correndo para fecharem seus dados do terceiro trimestre para terem em mãos todos os documentos necessários, o número de candidatas à abertura de capital na Bolsa brasileira deu um salto nos últimos dias. A razão é simples: quem protocolar agora pode encontrar algum espaço ainda neste ano para realizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), acessar o bolso dos investidores e já entrar em 2021 capitalizado. Aquelas que não conseguirem poderão usar a mesma documentação para o lançamento no início do ano que vem. Até fevereiro são aceitos os dados financeiros de julho a setembro.

Nos últimos 15 dias, nove empresas pediram registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizarem suas ofertas: Cruzeiro do Sul Educacional, Rede D'Or, Focus Energia, Grupo Big, CSN Mineração, Oba Hortifruti, Tok & Stok, a empresa de tecnologia Neogrid e a recuperadora de crédito Paschoalotto. Com operações jumbo de pesos-pesados, essas operações juntas chegam na casa de R$ 30 bilhões, se todas saírem nos preços desejados. Dependendo do contexto de mercado outra empresa que pode tentar um IPO em dezembro é a Havan, de Luciano Hang, que faria entre outubro e novembro, mas preferiu aguardar, ouvindo o conselho de bancos, para conseguir melhor precificação.

Nas últimas semanas, o movimento de ofertas foi bastante intenso e algumas acabaram desistindo do IPO, em especial aquelas que não aceitaram reduzir os preços para buscar demanda. Para meados de novembro e início de dezembro, a percepção é de que a volatilidade ainda pode estar menor, visto que a eleição dos Estados Unidos já terá passado.

O chefe de emissões de ações do Citi Brasil, Marcelo Millen, aponta que das 54 empresas que chegaram a protocolar seus prospectos para a atual janela, entre setembro e outubro, 20 fizeram ofertas de fato, sendo que quatro acabaram sendo canceladas no dia da precificação, por falta de demanda. Já seis delas saíram abaixo do preço pretendido. "Apesar de todo o dinheiro disponível no mercado, os investidores estão seletivos", comenta o executivo. E fora isso, lembra, os gestores não têm tempo de analisar todas as ofertas que chegaram à mesa. Para aquelas empresas que buscarão um IPO ainda neste ano a data limite antes das comemorações de fim de ano é o dia 17 de dezembro, aponta.

O chefe de mercado de capitais e renda variável para América Latina do Morgan Stanley, Eduardo Mendez, afirma que a quantidade de ofertas no terceiro trimestre provou o tamanho possível a ser absorvido pelo mercado hoje, dado o atual número de gestoras e profissionais da indústria de fundos. "Não vamos poder trazer 45 operações por trimestre, mas sim algo entre 15 a 25", afirma. "o engajamento dos investidores é muito grande, mas falta capacidade de pessoal e tempo para se analisar tudo", frisa.

O ano de 2020 já é recorde em relação às ofertas de ações. O volume já superou os R$ 95 bilhões, entre as ofertas iniciais e as subsequentes (follow ons). No ano passado, que já foi aquecido, o volume foi de R$ 90 bilhões.

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