Empresas criam programas para herdeiros

Profissionalização dos grupos familiares entra em nova fase no País

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

De olho na continuidade do negócio, empresas familiares começam a criar programas de capacitação de herdeiros no Brasil. O objetivo é unir a família em torno do negócio e manter os valores tradicionais, como o enfoque no longo prazo e a preocupação com a comunidade. Para o especialista em empresas familiares Israel Berman, da consultoria de recursos humanos Hays, essa é mais uma etapa na evolução dos negócios no Brasil, após um período marcado pela profissionalização das companhias. "A maioria das empresas familiares brasileiras está no estágio de transição, momento em que a segunda geração pensa em como passar para a terceira o comando do negócio", afirma .A capacitação dos herdeiros em geral é acompanhada de regras para a entrada de membros da família na empresa, como pré-requisitos mínimos para a formação e experiência profissional em outras companhias. "Queremos atrair pessoas que realmente queiram vir para o negócio", diz a conselheira do Grupo Brennand, Tereza Brennand de Oliveira.Ela ajudou a desenvolver o programa de capacitação de herdeiros da empresa, iniciado em abril. O treinamento inclui a passagem por vários cargos de gestão no grupo, que possui negócios nos setores de vidros, imóveis e de energia em Recife. Tereza explica que essa experiência é limitada a um período de dez anos. O objetivo é manter a estrutura desenhada na profissionalização da companhia, ocorrida em 2007, quando a família deixou a gestão para formar o conselho de administração. "Queremos preparar futuros conselheiros que tenham uma visão de investidor", diz. No grupo Algar, o programa de capacitação tem a dupla função de unir a família em torno do negócio e preparar a entrada de herdeiros em cargos executivos ou no conselho. "A partir dos sete anos, as crianças já participam de atividades lúdicas, enquanto os demais assistem a palestras ligadas ao negócio", diz Eleusa Maria Garcia Melaço, presidente do conselho de família do grupo, que controla empresas do setor de telecomunicações, serviços, agronegócios e hotelaria em Minas Gerais.O treinamento de herdeiros faz parte de uma volta gradativa da família à gestão do grupo, após o processo de profissionalização iniciado em 1989. Em 2006, já como um fruto do programa de capacitação de herdeiros, Luis Alexandre Garcia, membro da terceira geração, assumiu a presidência do grupo. "Ele cumpriu os pré-requisitos estabelecidos pela constituição da família para a entrada em cargos executivos", diz Eleusa.Para Berman, da Hays,muitas famílias entenderam hoje que a profissionalização não significa necessariamente a saída da gestão. "Elas sabem que uma governança propícia separa a família, o controle e o negócio em si." De acordo com Eleusa, que também é diretora executiva do Family Business Network do Brasil (entidade que reúne empresas familiares), as companhias também perceberam a importância dos valores tradicionais após a crise. "O enfoque no longo prazo, ligado à continuidade do negócio para as próximas gerações, contribuiu para que as empresas familiares fossem menos afetadas pela crise", justifica.

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