Empresas cubana e brasileira fecham acordo no Venture Forum

No primeiro dia do 70º Venture Forum Brasil, a empresa brasileira GMG Gymnásion e a cubana Gestión del Conocimiento y la Tecnologia (Gecyt) fecharam um acordo de cooperação para trabalharem na área de esporte. O Venture Forum é organizado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência que financia projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em empresas e é vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).O Venture Fórum promove rodadas de negócios organizadas periodicamente pela Finep para promover o encontro entre empreendedores em busca de capital de risco e investidores interessados em empresas nascentes, com projetos que utilizam a ciência e tecnologia para criar produtos ou processos inovadores e promissores. A sétima edição vai até sexta-feira, em São Paulo.Segundo o diretor da GMG, Antonio Carlos Franchini, o plano de negócio da empresa prevê um investimento de US$ 100 mil, em 12 meses, para colocar em prática os projetos resultantes da parceria com a Gecyt. A GMG pretende atuar assessorando projetos que utilizem o esporte como mecanismo de inclusão social do jovem, como parte da educação continuada e como fator de prevenção de doenças, nos moldes do que é feito em Cuba. Possíveis clientes são prefeituras, governos estaduais, e entidades que trabalham como o esporte.A empresa cubana se destaca na gestão de conhecimento, organizando projetos para a área esportiva. "Nosso objetivo é utilizar o conhecimento, a experiência da Gecyt, para prestarmos serviços na área de tecnologia e gestão. Queremos promover as áreas de esporte, cultura e projetos que resultem em melhoria da qualidade de vida", disse.O primeiro projeto que a GMG está tocando e que contará com a experiência cubana será a elaboração do plano diretor da Faculdade do Clube Náutico Mogiano, em Mogi das Cruzes, interior paulista. "Ela quer se transformar em um centro de referências em esportes", disse. Na próxima sexta-feira, Franchini terá um encontro na faculdade, onde apresentará a experiência da Gecyt no setor.O governo cubano espera que o novo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, dê continuidade ao processo de intensificação das parcerias entre os países na área de ciência e tecnologia que foi iniciado pela gestão de Fernando Henrique Cardoso. "Temos um trabalho de cooperação de três, quatro anos, que agora se cristalizou e isso deve continuar", disse o diretor de tecnologia e inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Cuba, Vito Quevedo Rodriguez.Ele lembrou que os setores empresarial e científico de ambos os países estão se conhecendo, e que esse processo já assegura uma continuidade das parcerias. "Esperamos que o novo governo continue essa linha e incremente esse conhecimento", afirmou. "Há um interesse mútuo de ambos os países e em todas as áreas".O convite para Cuba expor no Venture Forum nasceu de uma viagem feita ao país pelo ministro da Ciência e Tecnologia brasileiro, Ronaldo Sardenberg, em outubro desse ano. O Salão de Tecnologia de Cuba do evento tem estandes de 10 empresas cubanas das áreas de biotecnologia, tecnologia da informação, energia, produção de equipamentos médicos e gestão do conhecimento. Estão participando as empresas Icinaz, Cenpalab, Icid-Combiomed, Biomundi, Gecyt, Cimab, Citmatel, Ceaden e CBQ. "As empresas foram selecionadas pelo nosso governo, com base nos resultados que obtiveram e por atuarem em setores de interesse para Cuba e Brasil", disse Rodriguez.Segundo a ministra-conselheira para a economia da embaixada de Cuba no Brasil, Martha Vizquerra, interessa para Cuba, particularmente, fechar contratos de cooperação com o Brasil nas áreas de biotecnologia, siderurgia, informática, indústria álcool-açucareira e energia.De acordo com o diretor da Finep, Jorge Ávila, os empresários cubanos têm dificuldades para obter capitais em função do embargo econômico dos Estados Unidos. Dessa forma, é interessante para eles firmarem parcerias com empresas brasileiras, o que facilita na hora de buscar os investidores do mercado de capital de risco. "As empresas cubanas estão no Venture Forum para buscar parceria com as empresas brasileiras, e não os investidores. Isso seria um segundo passo", disse.Ávila acompanhou a visita feita por Sandenberg a Cuba e disse que os empresários cubanos estão muito interessados em obter parceiros industriais brasileiros.

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