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Empresas da Alemanha discutem participação em concessões no Brasil

Encontro sobre investimentos bilaterais será aberto pela presidente Dilma Rousseff e pelo presidente  alemão Joachim Gauck

13 de maio de 2013 | 09h51

 SÃO PAULO - O programa do governo de concessões públicas de infraestrutura e o aumento da participação das indústrias germânicas de pequeno e médio porte no mercado brasileiro são os dois focos principais do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que será realizado nesta segunda e terça-feira em São Paulo.

O evento terá a participação dos presidentes Dilma Rousseff, do Brasil e Joachim Gauck, da Alemanha, e faz parte da Temporada Alemanha + Brasil 2013-2014, uma iniciativa que vai durar um ano e cujo principal objetivo é promover o país europeu em diversos temas além de economia e comércio bilateral, como inovação tecnológica, ecologia e cultura.

"Dentro da divisão internacional do trabalho, o mundo está menor e mais especializado. Neste contexto, é fundamental que Brasil e Alemanha possam compartilhar ainda mais seus vínculos históricos para que continuem a gerar benefícios mútuos", comentou o embaixador da Alemanha, Wilfried Grolig, em entrevista ao Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado.

Na área de concessões públicas, as empresas alemãs estão interessadas especialmente em concessões de logística, como ferrovias, aeroportos, portos e rodovias. Há uma atenção especial para o Trem de Alta Velocidade (TAV), que deve ligar Campinas ao Rio de Janeiro.

"As empresas alemãs podem atuar como operadores ou fornecedores de equipamentos em qualquer setor de infraestrutura. Mas a forma de atuação será determinada pelas características de cada projeto", afirmou Rafael Haddad, diretor-executivo do Conselho para o Brasil do BDI, que é a sigla em alemão para a confederação germânica da indústria, o equivalente à Confederação Nacional da Indústria, a CNI.

No caso das pequenas e médias empresas alemãs, que respondem por 61% dos empregos no país europeu, o principal objetivo é ampliar a atuação no mercado brasileiro com a venda de máquinas e prestação de serviços.

"E isto poderá ocorrer não só pela tradicional venda de máquinas, mas por meio de associações com companhias brasileiras para ampliar atividades de forma conjunta", destacou Haddad."E este tipo de atuação poderia não só ocorrer no mercado doméstico, que é bastante grande, mas também para viabilizar exportações para a América do Sul e outras regiões."

De acordo com Haddad, no processo de incremento da atuação das pequenas e médias indústrias alemãs no Brasil há interesse dessas empresas de colaborarem com o treinamento dos profissionais das companhias nacionais que vão comprar seus equipamentos.

Essa iniciativa é importante para os fabricantes germânicos, pois tende a fidelizar os clientes à linha de produtos dos fornecedores no longo prazo. "As companhias deste porte tem essa expertise, pois do total de empregos com formação profissionalizante na Alemanha 83% estão nas pequenas e médias companhias", disse.

OMC multilateral

Por ser uma economia muito voltada para o livre mercado, com participação preponderante do Estado no bem-estar da população, a Alemanha defende o aprofundamento do processo de comércio global. De acordo com o embaixador Wilfried Grolig, seu país avalia ser muito importante que o fluxo mundial de mercadorias e serviços seja realizado sem barreiras entre nações avançadas e emergentes.

"Esperamos que em 12 meses já possamos ver avanços substanciais nessa área com a eleição do embaixador Roberto Azevêdo como novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio", comentou o diplomata.

Um subproduto desta vontade política do governo germânico na área comercial pode ser a atuação do país para que seja formado logo uma parceria comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

"Defendemos que esse acordo entre os dois blocos seja concluído e entre em implementação logo, o que será bom para os membros desses dois blocos econômicos", ponderou.

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