Empresas da Bolsa já valem R$ 250 bi a menos

Redução no valor de mercado da Bovespa reflete o pessimismo dos investidores com a economia americana

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

19 de janeiro de 2008 | 00h00

Principal destaque no ranking brasileiro de investimentos nos últimos cinco anos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) iniciou 2008 com o pé esquerdo. Em 18 pregões, o Índice Bovespa já perdeu quase 10%. O valor somado das empresas que negociam ações na bolsa paulista despencou R$ 247,7 bilhões no período. A Petrobrás, principal empresa do mercado acionário do Brasil, vale 20% menos que no último pregão de 2007, principalmente por causa das vendas de investidores externos. Assustados com a hipótese cada vez mais provável de uma recessão nos Estados Unidos, eles fogem de ativos considerados mais arriscados. Isso inclui o mercado de ações em geral - o Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, desvalorizou 8,79% no ano - e também países emergentes, como o Brasil. Até a última quarta-feira, o saldo de investimentos estrangeiros na Bovespa estava negativo em R$ 3,36 bilhões. De acordo com analistas, a tendência é de que a sangria continue enquanto durarem as turbulências que sacodem o mundo financeiro. Essas oscilações, por sua vez, dependem do comportamento da economia dos Estados Unidos. Até agora, as reduções da taxa básica de juros no país - que saíram de 5,25% ao ano em setembro de 2007 para o nível atual de 4,25% - e o pacote de estímulo fiscal do governo George W. Bush foram insuficientes para acalmar os investidores. O economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, considera dois fatores fundamentais para a evolução do cenário: os resultados futuros das instituições financeiras envolvidas com a crise das hipotecas de segunda linha (subprime) e a extensão da desaceleração da economia dos EUA. "O mercado tem de acreditar que as perdas dos bancos no quarto trimestre de 2007 foram mesmo as últimas", afirma. O Citigroup, por exemplo, anunciou um prejuízo de quase US$ 10 bilhões no período, graças, principalmente, às perdas com as hipotecas. Quanto à economia, diz Salomon, "é preciso saber se os EUA terão uma recessão moderada, uma recessão forte ou um desaquecimento". Por ora, a projeção do Unibanco para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país é de 1,5% neste ano e de entre 1,5% e 2% em 2009. "Mas estamos revisando, provavelmente para baixo."

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