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Empresas da Espanha temem ações de Cristina

Governo é pressionado a reagir, mas também é obrigado a atender pedidos das empresas que atuam na Argentina e pedem moderação

KARLA MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO / MADRI, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h07

A crise que se instaurou entre Espanha e Argentina depois da expropriação da YPF colocou o governo espanhol em uma situação delicada. Se por um lado o Executivo do país ibérico sente-se na obrigação de reagir à represália para defender sua honra diante do "ataque" sofrido por sua ex-colônia, de outro sofre forte pressão das cerca de 400 empresas espanholas que têm negócios na Argentina da ordem de US$ 22 bilhões, o que coloca a Espanha no posto de maior investidor no país sul-americano.

O silêncio foi a marca de grandes investidores como Telefônica, Santander, Abengoa, Endesa e Gas Natural para o episódio Repsol/YPF. Procuradas pelo Estado, as companhias informaram que não comentariam o assunto. Receosas de que a Repsol tenha sido uma espécie de bode expiatório, elas e as outras centenas de empresas com presença na Argentina optaram por não se posicionar sobre o tema, temerosas de que alguma delas seja a próxima da lista, afirmam fontes do mercado.

Essas mesmas fontes asseguram que as empresas têm pressionado o governo para que modere as sanções contra a Argentina para não haja um efeito dominó sobre os investidores que estão no país há anos e têm significativa parte de seus negócios concentrados no país. Essa importância cresce, sobretudo, diante do cenário de grave crise econômica que a Espanha está enfrentando, sem perspectiva de recuperação no curto prazo.

De fato, para muitas companhias, a Argentina tem um papel quase vital. Para a Codere, por exemplo, empresa do setor de jogos com 14 bingos em território argentino, o país sul-americano representa nada menos que 52% de sua receita, que em 2011 alcançou US$ 730 milhões. Entre os gigantes do mercado, como Telefónica, BBVA e Santander, 5% do faturamento é oriundo da Argentina.

Gigantes. Depois da Repsol, que registrou receitas de cerca de US$ 15 bilhões na Argentina em 2011, a Telefônica desponta na segunda posição, com cerca de US$ 4 bilhões. Endesa e Gas Natural somaram US$ 3 bilhões.

No caso da Telefônica, na América Latina os negócios na Argentina só perdem para as operações da companhia no Brasil, onde a Vivo é líder do mercado de telefonia móvel. O Santander tem a liderança entre os bancos privados na Argentina, com 8,9% do volume de crédito e 10,1% dos depósitos bancários.

O temor das empresas espanholas não nasce do acaso. No dia do anúncio da nacionalização da YPF, a presidente Cristina Kirchner advertiu as companhias estrangeiras com interesses na Argentina, como "as telefônicas ou bancos" sobre a "necessidade" de que invistam.

As companhias que atuam em setores regulados, como energia e telecomunicações, são as mais vulneráveis às decisões unilaterais do governo. O congelamento das tarifas desde 2002, apesar do aumento de custos, assombra os negócios das empresas.

Maior companhia elétrica da Argentina, a Endesa, por exemplo, não pode reajustar os preços, apesar de acumular 25% de aumento de custos nos últimos dez anos. Fontes da empresa informaram que 2011 foi um ano recorde de investimentos da companhia no país sul-americano, mas se a situação de congelamento de preços não se resolver, o cenário ficará "insustentável".

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