Empresas de cartões de crédito tiveram rentabilidade de 109% no 1º trimestre

Em estudo da Austin Rating, que mensura o retorno do capital próprio investido, pequeno investidor pode detectar boas opções de ações

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

Redecard e Cielo, empresas do setor de cartão de crédito, tiveram retorno sobre o capital próprio (ou rentabilidade) de 109,9% no primeiro trimestre. O resultado é oito vezes maior que a média dos demais setores, que foi de 13,9% no período. Os dados são de um levantamento feito pela agência Austin Rating.

Especialistas em finanças pessoais explicam que o dado de rentabilidade (que é obtido levando-se em conta a relação lucro líquido sobre o patrimônio líquido) é um tópico importante de ser analisado antes de se decidir qual ação comprar.

Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, comenta que o fato de o setor de cartão de crédito liderar o ranking de rentabilidade mostra como a economia brasileira está aquecida.

"As empresas de cartão analisadas no levantamento cobram um porcentual de cada transação feita nas maquininhas de cartão. Se o lucro delas sobe, quer dizer que a quantidade de compras feitas também subiu", detalha Rodrigues.

Ele acrescenta ainda que, no fechamento do ano, por conta do aumento da renda com o 13.º salário e a aproximação do Natal, as vendas crescem e o resultado dessas companhias também.

Ter o nível de rentabilidade tão alto quanto o das empresas de cartão, no entanto, pode representar um alto nível de risco para o investidor que optar por comprar as ações da empresa. "Isso porque não necessariamente as empresas se manterão neste nível", explica Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper.

Analisar um período mais longo, como cinco anos, é o mais recomendado. "Porque dessa forma é possível ver como a empresa se comportou ao longo do tempo", diz Fábio Colombo, administrador de investimentos. "Quanto mais estável é a rentabilidade do passado, menos risco a empresa oferece", completa o especialista.

Rodrigues, da Austin Rating, diz que o setor bancário é um exemplo que se encaixa na recomendação de Colombo. "Eles estão na faixa dos 17% há algum tempo", comenta. No primeiro trimestre deste ano, os bancos somaram exatos 17,4% de rentabilidade.

Rocha, do Insper, concorda. "Aplicar em ação de banco é um investimento quase conservador", comenta.

Boas apostas. Colombo afirma que empresas que têm o nível de rentabilidade entre 15% e 20% são, em geral, bons investimentos. Ele reforça que a análise deve ser feita com base nos resultados dos últimos cinco ou dez anos.

De acordo com o levantamento da Austin Rating, de 27 setores analisados, sete têm rentabilidade na faixa sugerida por Colombo no primeiro trimestre do ano. São eles: concessões rodoviárias (20,8%); indústria (19,1%); bancos (17,4%); serviços de saúde (16,8%); informática (15,7%); energia elétrica (15,1%); e comércio (15,0%).

Os três últimos colocados dessa listagem foram os setores de fertilizantes (7,5%); serviços diversos (6,8%); e alimentos (6,5%).

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