Valéria Gonçalvez/Estadão
Valéria Gonçalvez/Estadão

Empresas de educação Eleva e Cogna anunciam troca de ativos editoriais e de ensino básico

Acordo inclui o repasse de marcas como Anglo e Pitágoras à empresa que tem Jorge Paulo Lemann entre seus sócios; entre as marcas que passam para a Eleva, estão Anglo, Maxi, Pitágoras e Lato Sensu

Felipe Laurence e Elisa Calmon, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 05h00

A Cogna informou ontem que chegou a um acordo com a Eleva Educação, que tem Jorge Paulo Lemann entre seus sócios, para a troca de ativos editoriais e de ensino básico – as negociações se estenderam pelos últimos meses. A operação depende de aprovação do Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Por meio da sua subsidiária Somos Sistemas, a Cogna adquiriu a totalidade das ações da Editora Eleva por R$ 580 milhões, valor que será pago em parcelas de cinco anos.

Por sua vez, a Eleva Educação pagará R$ 964 milhões – sendo R$ 625 milhões em cinco parcelas e o restante em debêntures conversíveis em ações – pela Saber, outra controlada da Cogna. Entre as marcas que passam para a Eleva estão colégios como Anglo, Maxi, Pitágoras e Lato Sensu. A operação exclui a escola de idiomas Red Baloon.

A operação inclui ainda um acordo comercial, válido por dez anos, para o fornecimento de material didático pela Somos Sistemas à Eleva. O contrato prevê que o fornecimento garantirá uma economia de R$ 15 milhões nos primeiros quatro anos de vigência do acordo. As empresas também firmaram uma parceria para o desenvolvimento de novas ferramentas educacionais para os colégios. 

Em relatório, o Citi disse considerar que os termos finais da troca de ativos entre Cogna e a Eleva Educação vieram em linha com as estimativas, uma vez que tinham sido divulgados pela imprensa antes da assinatura do acordo, já sendo precificado nos papéis.

“Achamos a transação positiva, uma vez que ajuda a Cogna a maximizar seu valor ao vender as escolas para uma player ‘pura’ do segmento de educação básica”, escrevem os analistas Leandro Bastos e Tobias Stingelin.

Na visão do banco do americano, a Cogna sai da transação com seus negócios mais definidos, permitindo que a diretoria foque nos segmentos de principal atuação (educação superior e plataformas de ensino). “Nos perguntamos como a rede Red Balloon (escola de inglês voltada a crianças pequenas) vai se encaixar estrategicamente no portfólio da Cogna, dada a sua escala relativamente limitada”, disseram os analistas.

Já o BTG Pactual, em relatório dos analistas Samuel Alves e Yan Cesquim, lembra que a saída da Cogna da educação básica representa o abandono “de uma oportunidade de consolidação”. Por outro lado, a operação vai ajudar na desalavancagem (redução da dívida) da companhia. 

Os analistas destacam ainda que, conforme esperado pelo mercado, o acordo não dará direito de voto à Cogna por um determinado período de tempo, a fim de evitar conflitos de governança.

O BTG manteve a recomendação neutra para o papel de Cogna, pois considera que a desalavancagem mais rápida prevista por investidores mais otimistas não se concretizou. Além disso, apontam como principal motivo o fato de o cenário para o segmento permanecer desafiador em meio à crise econômica trazida pela pandemia de covid-19. 

O preço-alvo estipulado para a ação pelo banco é de R$ 5,40, representando um potencial de alta de 35,6% em relação ao fechamento da última segunda-feira. 

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