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Empresas de internet faturaram R$ 120,5 bilhões em 2014

Em estudo, representante do segmento aponta que mais de 19 mil novos postos de trabalho foram gerados; maior parte das companhias é de porte micro

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 11h54

BRASÍLIA - As empresas de internet brasileiras faturaram R$ 120,5 bilhões no ano passado, montante 12% maior do que o do ano anterior, de acordo com dados da Receita Federal compilados pela Associação Brasileira de Internet (Abranet). 

Segundo o estudo, divulgado nesta quinta-feira, 24, o faturamento do setor representa 1,45% dos R$ 8,28 trilhões de faturamento de todas as empresas brasileiras. O resultado do segmento é maior do que quase 80% dos setores da economia.

A maior parte das empresas de internet no Brasil é de microempresas, com faturamento anual de até R$ 360 mil. Os dados apontam que 79,2% de todo o faturamento do setor concentra-se em empresas de tecnologia da informação. O número de estabelecimentos aumentou quase 8% em relação a 2013 e terminou o ano em 139.733, dos quais mais de 90% são de tecnologia da informação e 8,5% do setor de comunicação.

O segmento de comunicação tem 26% da força de trabalho contra 74% do setor de tecnologia da informação. De acordo com o estudo, as empresas de internet geram mais de 19 mil novos postos de trabalho por ano. Em média, a folha de salários representa 12,4% do faturamento das empresas. O salário médio das empresas de internet é de R$ 3,1 mil - mais do que quatro salários mínimos. 

O crescimento dos impostos pagos pelas empresas de internet tem sido maior do que o ritmo da arrecadação total da Receita, segundo a pesquisa. Enquanto o segmento pagou quase 17% a mais de impostos, a arrecadação total subiu 4,36% no ano passado.

Impostos. A possibilidade de que aplicativos como Netflix e WhatsApp sejam alvo de regulamentação no Brasil preocupa as empresas de internet. "Não existe nada de graça. Se o governo aumentar os impostos sobre esses serviços, o usuário é que vai pagar a conta", disse Eduardo Parajo, presidente da Abranet.

Ele afirmou que há uma insegurança jurídica no setor sobre a forma como essa regulamentação será feita. "Já temos um arcabouço tributário muito complicado", ponderou. A regulamentação desses serviços de dados estrangeiros cada vez mais acessados pelos consumidores brasileiros foi defendida pelo ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini. Segundo ele, o Congresso precisa debater a chamada "assimetria regulatória" entre os grandes consumidores de dados e as empresas de comunicação instaladas no País.

Parajo disse que o setor precisa de "menos regulamentação e menos impostos" para continuar se desenvolvendo nos próximos anos. Ele afirmou que houve uma desaceleração do setor neste ano, mas que há ainda muito espaço para crescer no País. A expectativa é fechar 2015 no azul, mesmo com uma perda do ritmo de expansão no segundo e terceiro trimestres.

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