Empresas de médio porte preparam retomada de IPOs na Bovespa

Pode estar perto do fim o esfriamentodo mercado de capitais brasileiro por conta da crise global decrédito, que interrompeu um ciclo que levou mais de 100 novasempresas a lançar ações na Bovespa nos últimos quatro anos. A retomada, no entanto, deve ser liderada por companhias demenor porte, com ofertas públicas iniciais de ações (IPO, nasigla em inglês) de até 100 milhões de reais. Pelo menos essessão os planos de empresas que se preparam para desembarcar noBovespa Mais, segmento criado pela bolsa paulista em 2006 paraabrigar companhias de pequeno e médio portes. "Estamos sendo consultados por dezenas de empresas", disseo superintendente de relações com empresas da Bovespa, JoãoBatista Fraga, após participar de uma apresentação que trêscompanhias fizeram a investidores e demais instituições domercado nesta quarta-feira. As colocações devem ser absorvidas predominantemente nomercado doméstico --uma diferença em relação às empresas demaior porte que chegaram ao mercado entre 2003 e 2007 e quetiveram, em média, 75 por cento das ofertas absorvidas porestrangeiros. Como o apetite dos investidores nacionais por rendavariável segue firme, essas companhias não precisariam esperarpela recuperação total do cenário internacional. "Estamos conversando com bancos de investimentos epretendemos estrear no mercado no segundo semestre deste ano",afirmou Bernardo Gomes, fundador e presidente da SeniorSolution, empresa de softwares para o setor financeiro. Fundada em 1996, a companhia tem entre os sócios o braço departicipações do BNDES e o fundo de private equity Stratus. Odiscurso para seduzir o mercado já está pronto: crescimentomédio anual de 75 por cento desde 2004, carteira de clientesque inclui os dez maiores bancos do país e atuaçãointernacional, com filiais na China, Índia, Chile e Argentina. O apetite das empresas médias pelo quase inexploradoBovespa Mais --desde sua criação apenas uma companhia selistou, a fabricante de insumos para fertilizantes Nutriplant--é explicado pela pressa delas em crescer e escapar de serengolidas por empresas maiores. "Os empréstimos no sistema financeiro estão muito caros",disse Álvaro Sant'anna, presidente da Le Biscuit, rede baianade lojas de produtos para o lar, que também se apresentou ainvestidores nesta quarta-feira. Criada em 1968, a empresafamiliar, hoje com 10 unidades, quer expandir suas operaçõespela região Nordeste. "Já fomos sondados por redes maiores querendo nos comprar,mas queremos continuar existindo", comentou Sant'anna, filho dofundador do grupo. O esforço para sobreviver, num mercado em que aconsolidação em diversos setores tem levado as fusões eaquisições a recordes históricos, não é exclusividade dasempresas familiares. DE OLHO NO CRESCIMENTO A TopSports, empresa de entretenimento esportivo criada em1999 e que vem crescendo a uma taxa de 70 por cento ao anodesde 2004, também vê no mercado de capitais a ponte para abrirnovas frentes de negócios. Seu principal produto é o EsporteInterativo, canal criado há 4 anos, além de fornecer conteúdoesportivo para Internet e telefones celulares. O faturamento dogrupo está na faixa de 36 milhões ao ano. "Com o crescimento do poder de compra das classes de menorrenda, acredito que nossa penetração no mercado vai subir dosatuais 40 para 90 por cento do país até 2012", disse EdgarChagas Diniz, presidente da TopSports. "Queremos o nosso IPOnos próximos 12 meses." A Bovespa agendou para 4 de junho outra reunião do gêneropara três outras companhias e, embora sem revelar nomes, vê umhorizonte para expansão acelerada do setor nos próximos anos.

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