Geraldo Falcão/Petrobrás
Geraldo Falcão/Petrobrás

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Empresas de refino se beneficiam da baixa do petróleo para lucrar na crise

Grandes companhias fecharam o segundo trimestre com lucros milionários, também porque as cotações de seus produtos tiveram quedas menores do que a do óleo cru

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 15h45

RIO - Na contramão das empresas petrolíferas com foco na exploração e produção de petróleo e gás natural, companhias do setor com mais de 90% dos seus negócios direcionados à fabricação de combustíveis estão conseguindo passar o período de crise econômica mundial com o caixa positivo.

Grandes refinadoras fecharam o segundo trimestre do ano com lucros milionários, por causa da queda do preço da matéria-prima, o petróleo, e também porque as cotações dos seus produtos tiveram quedas menores do que a do óleo cru.

No mercado norte-americano, os preços da gasolina caíram 31,2% e os do óleo diesel, 22,2%, no período de um ano concluído em 30 de junho. No mesmo espaço de tempo, o petróleo cru americano (WTI) retrocedeu 54,4%.

Exemplos disso são duas refinadoras dos Estados Unidos - a Marathon (5ª maior do mundo) e a Valero (8ª maior do mundo) - e uma da Índia, a Relliance (20ª maior do mundo). As três tiveram resultados financeiros positivos de março a junho, em meio à pandemia de covid-19, e de quedas bruscas da demanda e dos preços das commodities.

A Marathon, dona de 17 refinarias e capacidade de processamento de petróleo de 3,2 milhões de barris por dia (bpd), fechou o segundo trimestre com lucro de US$ 276 milhões, por causa, principalmente, da retração dos custos, de US$ 29,68 bilhões no segundo trimestre do ano passado para US$ 13,77 bilhões em igual período deste ano. A desvalorização do óleo cru, utilizado como insumo, ajudou a empresa a superar uma piora no desempenho operacional.

A Valero terminou o segundo trimestre com ganho de US$ 1,2 bilhão, o dobro do registrado em igual período de 2019. Nesse caso, o lucro foi motivado sobretudo pelos gastos com a matéria-prima, que passaram de US$ 26,08 bilhões no segundo trimestre de 2019 para apenas US$ 9 bilhões. Na Índia, o resultado da Reliance foi de US$ 35 milhões, devido a um aumento das receitas de venda.

"Mesmo em um mercado com muitos agentes e mais competitivo como o americano, os preços dos derivados foram menos afetados que os do petróleo na crise. Com isso, as maiores refinadoras conseguiram sustentar um resultado positivo no segundo trimestre ao contrário das conterrâneas mais atuantes na exploração e produção de petróleo", avalia Rodrigo Leão, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás Natural (Ineep).

Entre as multinacionais petroleiras, algumas ainda conseguiram utilizar os ativos de refino para perder menos na crise. A Exxon fechou o trimestre no vermelho, com perda de US$ 1 bilhão. Mas esse resultado teria sido pior, caso a produção de combustíveis não tivesse gerado lucro de quase US$ 1 bilhão.

No Brasil, a Petrobrás registrou receita de refino de R$ 44,3 bilhões, mas prejuízo de R$ 3 bilhões. Apesar do custo por barril na produção de derivados ter caído 35% em um ano, na crise, a empresa teve mais gastos com o afretamento de embarcações, paradas para manutenção, e com o programa de incentivo à demissão voluntária de empregados.

Para o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e especialista na área, David Zylbersztajn, o retorno no negócio de refino depende de uma série de variáveis, como o tipo de petróleo processado e o leque de derivados que produz.

"Uma empresa com foco em refino tem margens próprias, que dependem do seu perfil de produção. Elas têm um desenho particular, diferente das majors (companhias de atuação internacional), que tomam decisões empresariais de investimento em diferentes ativos", avalia.

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