Empresas de tecnologia ganham apoio para crescer

Programa da IBM leva pequenas empresas a receber recursos de grupos de capital de risco

Paulo Justus, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2009 | 00h00

A HXD Interactive TV surgiu no fim de 2007, época das primeiras transmissões para a TV digital no Brasil. A empresa foi fruto do estudo da fabricante de software Hirix, que identificou uma oportunidade de aproveitar a interatividade nesse mercado nascente, algo que será possível a partir de 2010 . "Quando vimos o potencial da TV digital no Brasil, decidimos montar a empresa", diz Salustiano Fagundes, presidente da HXD e da Hirix. Como empresa nascente, a HXD ainda não possui um faturamento relevante, mas é uma boa oportunidade para os investidores de risco. A empresa foi uma das selecionadas pela americana IBM para ser apresentada no primeiro fórum de capital de risco para inovação que a gigante de tecnologia realiza no Brasil. O evento vai apresentar cinco empresas brasileiras nascentes a cerca de 25 investidores em capital de risco. As cinco debutantes no fórum foram selecionadas dentro da base de 3 mil parceiros da IBM no Brasil. Elas passaram por uma seleção interna na companhia e posteriormente foram analisadas pelo fundo de investimento em capital de risco Performa, que avaliou as empresas com mais potencial para investimento. "Após fazermos a seleção, ajudamos essas cinco a adaptarem seus modelos de uma maneira que se mostrassem mais atraentes para o investidor", diz Humberto Matsuda, vice-presidente da Performa Investimentos. Para a IBM, o desenvolvimento de parceiros potencializa seu próprio negócio. Atualmente, um terço do faturamento da empresa vem do relacionamento com parceiros. "O parceiro prospecta muitos clientes, porque está no mercado e leva o nome da IBM para lugares onde muitas vezes não conseguimos estar", diz James Corges, gerente geral de Relações com Desenvolvedores da IBM.Além disso, a evolução das empresas parceiras é também uma maneira de a IBM encontrar aquisições em potencial. Desde 2003, quando passou a atuar com mais intensidade no fomento ao capital de risco, a IBM adquiriu 75 empresas nascentes, sendo 25 delas parceiras genuínas da companhia. "É uma relação em que todo mundo sai ganhando", diz a diretora da IBM Venture Capital Group, Claudia Munce, responsável pelo contato com os fundos de investimento em capital de risco. De acordo com Claudia, a IBM analisa atualmente 120 empresas nascentes com potencial para o aporte de investidores. Segundo ela, o Brasil é um mercado em potencial para esse tipo de investimento. Sinal disso foi o bom desempenho do País no ano passado, quando terminou com um estoque de US$ 27 bilhões para aportes em empresas privadas e companhias nascentes, de acordo com a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). Desse total, US$ 11 bilhões ainda estavam disponíveis para investimento.Na visão da IBM, o fórum formaliza suas ações de fomento no Brasil e é um primeiro passo para a atuação no mercado latino-americano. Desde 2002 a empresa vem direcionando suas ações com capital de risco para países em desenvolvimento. Os estudos para a vinda para o Brasil começaram em 2007. No ano passado, a IBM já auxiliou 12 empresas a receber aportes de investidores no País. Duas delas vão apresentar hoje seus planos de negócio. A Hoplon, empresa de tecnologia de Florianópolis, e a Usix, de Fortaleza. "Queremos mostrar às empresas nascentes que é possível e que pode dar certo", diz Ricardo Carrion Mansano, da área de Relacionamento com Desenvolvedores da IBM no Brasil. Em maio deste ano, a IBM inaugurou seu primeiro centro de inovação no País. Um local que oferece a infraestrutura para se trabalhar com as áreas com potencial de inovação: universidades, profissionais de tecnologia da informação e empresas nascentes. "É o centro que vai oferecer às empresas com potencial para investimento toda a assessoria para que ela cresça", diz Claudia. Essa é a expectativa de Wellington Freire, presidente da Softwell, outra empresa que vai ser apresentada aos investidores hoje. "Estamos no momento certo para crescer e prontos para o investimento", diz. A empresa desenvolveu uma plataforma visual para a fabricação de softwares, que promete economizar em até 300 vezes o tempo de fabricação dos programas.

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