Embraer/Divulgação
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Empresas de transporte buscam soluções mais seguras e ambientalmente sustentáveis

Projetos vão de ferramentas que ajustem a oferta de trens e ônibus em tempo real ao futurístico “carro voador”

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2022 | 14h17

Novas tecnologias e uma maior conectividade têm levado empresas de transporte a desenvolver soluções mais seguras e sustentáveis ambientalmente. Do futurístico “carro voador”, que a Embraer promete entregar em 2026, a ferramentas que ajustem a oferta de trens e ônibus em tempo real, permitindo uma economia de energia, os novos produtos e serviços devem oferecer, além de praticidade ao consumidor, oportunidades de negócios para companhias que atuam com transporte aéreo, rodoviário e ferroviário.

No segmento automotivo, a Stellantis (que reúne Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën) tem trabalhado em tecnologias que permitem uma melhor rastreabilidade do carro, garantindo mais segurança, e em aplicativos que interagem com os automóveis. “Depois de um ano de uso do veículo, o cliente tem a possibilidade de ter um veículo novo, porque ele atualiza o veículo (com o aplicativo) igual atualiza um celular. Aí passa a ter novas funcionalidades”, disse, na manhã desta quinta-feira, 28, o vice-presidente de Software e Serviços Conectados da Stellantis para a América do Sul, André Souza Ferreira.

No summit “O Futuro da Indústria Automotiva”, evento realizado pelo Estadão, o executivo destacou que as empresas do grupo têm buscado oferecer serviços sem que seja necessário o deslocamento do cliente até a concessionária. Isso é possível através da troca de dados entre o veículo e a central da montadora.

O grupo BMW tem desenvolvido serviços na mesma linha. Hoje, por exemplo, o próprio carro “avisa”, por mensagem, a concessionária quando a pastilha do freio precisa ser trocada. A empresa, porém, acredita que não só novos produtos precisam ser oferecidos, mas também que eles devem ser fáceis de usar pelos clientes, disse o  gerente sênior de Treinamento no BMW Group Brasil, Emilio Paganoni.

“Enquanto a tecnologia avança, temos outros desafio, que é simplificar a maneira de usar o carro. Não adianta ter uma tecnologia rebuscada se o usuário comum precisa ser um especialista (para usá-la). O foco é no consumidor”, destacou. Com base nisso, a companhia desenvolveu uma tecnologia que, através de um cartão instalado no veículo ou do aplicativo no celular, atualiza o software do carro sem que o cliente tenha de ir a um ponto de serviço da BMW.

Ainda no segmento rodoviário, o aplicativo de navegação Waze tem investido para oferecer informações mais precisas que aumentem a segurança dos motoristas e dos pedestres. Ferramentas que avisam o limite de velocidade de uma via, alertam quando há buraco na rua ou enchentes e também notificam o motorista quando ele está passando por uma escola no horário de entrada das crianças são apostas da companhia. “A gente acredita que temos uma responsabilidade grande na segurança viária e vamos investir bastante nisso nos próximos anos”, afirmou o diretor do Waze Carpool para a América Latina, Douglas Tokuno.

No segmento ferroviário, o presidente da CCR Mobilidade, Marcio Hannas, destacou que a automação já vem sendo usada há algum tempo para aumentar a segurança nos trilhos. Uma das tecnologias é o metrô que opera sem condutor, reduzindo o risco de acidentes causados por falha humana.

Segundo o executivo, porém, ainda é preciso ampliar a integração dos modais, para que os passageiros economizem tempo e dinheiro. Isso pode ser feito com a integração de dados, explicou. “Um sistema otimizado permite fazer o ajuste de oferta (de transporte) em tempo real, diminuindo o consumo de energia. Mas é preciso olhar o sistema como um todo. Hoje tem concorrência entre os modais, o que não favorece a sustentabilidade.”

Para o setor aéreo, a grande revolução tecnológica é o eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamado oficialmente o “carro voador”). A vice-presidente de Experiência do Usuário da Eve Air Mobility (empresa criada pela Embraer), Flavia Ciaccia, destacou que a companhia já está desenvolvendo uma série de protótipos e o primeiro veículo deve ser entregue em 2026. 

Elétrica, a aeronave deve ser menos barulhenta que um helicóptero e não emitirá gases de efeito estufa. De acordo com a executiva, a intenção é que um voo entre a Avenida Paulista, em São Paulo, e o aeroporto de Guarulhos custe, inicialmente, menos de R$ 300. “A gente espera ainda que, conforme a demanda evolua e surjam voos autônomos, o valor seja similar ao das corridas de Uber”, afirmou.

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