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Empresas deixam de ganhar US$ 40 bi com infra-estrutura precária

A estimativa é do Centro de Estudos em Logística (Cel) do Coppead/UFRJ

Nilson Brandão Junior, da Agência Estado,

03 de setembro de 2007 | 20h14

As empresas brasileiras deixam de ganhar US$ 40 bilhões ao ano por conta dos custos elevados e da precariedade da infra-estrutura de transporte e logística no País. A estimativa é do Centro de Estudos em Logística (Cel) do Coppead/UFRJ. O dado faz parte de estudos que serão apresentados nesta terça-feira, 4, durante evento organizado por um grupo de dez entidades do setor. Para elas, os investimentos previstos em infra-estrutura são insuficientes e, mantido o nível previsto, o País não terá condições de crescer, de forma sustentada, acima de 4% nos próximos anos. "Estamos à beira de um apagão logístico. O Brasil não tem condições de crescer de forma sustentada. Este apagão não ocorreu antes apenas porque o País não cresceu tanto quanto poderia. Há uma seqüência de falhas que precisa ser abordada", disse o presidente do conselho consultivo da 2ª Conferência Nacional de Infra-estrutura Logística, Robert Caracik Jr. O evento acontece hoje em São Paulo. O professor do Coppead/UFRJ Paulo Fleury explica que enquanto nos Estados Unidos o custo de logística representa 8% do Produto Interno Bruto (PIB) americano, os gastos no Brasil chegam a 12% do PIB. A diferença de quatro pontos porcentuais equivale a US$ 40 bilhões ao ano. "Custos mais altos representam perdas. E se você gasta mais está sendo menos competitivo", diz Fleury. Este gasto adicional acontece por conta da precariedade da infra-estrutura brasileira e pelo fato de que nos Estados Unidos o peso do modal rodoviário (26%) é inferior à sua participação no Brasil (55%). Além de apresentar dados setoriais, as entidades pretendem cobrar um balanço do que tem sido feito em infra-estrutura no País e deverão apontar falhas do Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT). Investimentos Segundo Caracik Jr, o plano, que prevê investimentos anuais até 2023, projeta um País com PIB de R$ 3,566 trilhões ao fim deste período, o que representaria um crescimento médio anual abaixo de 2% ao ano para a economia. "Acho que aqui está a maior falha. Estamos projetando um país muito pequeno. Parece que todo este plano é muito acanhado. O número do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), de 5% ao ano, não bate com este número", diz. Levantamento da Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística (MTC&Logística) mostra que os investimentos previstos pelo PNLT de 2008 a 2023 somam R$ 172,4 bilhões, ou R$ 9,6 bilhões ao ano, e projeta que a necessidade seria de R$ 46,6 bilhões anuais. Os investimentos previstos representam 23% do que seria necessário. "Os valores já avançaram, mas ainda não são suficientes", afirma o superintendente da NTC, Neuto Gonçalves dos Reis. No mesmo documento, a entidade justifica assim a ampliação dos investimentos: "No caso do 'apagão aéreo', a deficiência de infra-estrutura levou o governo a combater a crise reprimindo a demanda por este serviço. No caso mais geral do transporte de cargas, esta contenção pode significar reprimir o crescimento do PIB." A avaliação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) também cita o problema. Segundo a entidade, "a tragédia que se abateu sobre o modal aéreo ocorre todos os dias nas estradas brasileiras". Já o setor ferroviário defenderá a eliminação dos gargalos existentes na malha atual e a solução das invasões de famílias nas áreas de segurança junto às margens das ferrovias, conta o diretor executivo da Associação Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça. Segundo ele, há hoje 200 mil famílias no País nestas condições.

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