Empresas despertam para os crimes digitais

Com a informatização das empresas, o mundo do crime ficou muito mais próximo dos escritórios do que antigamente. Hoje, milhares de ameaças, muitas delas grosseiras, chegam às caixas de entrada de e-mails corporativos, podendo causar mais danos do que aparentemente sugerem. "Nos últimos sete anos, houve um grande aumento do vazamento de informações sigilosas pela rede, como planilhas de custo e planos estratégicos", afirma Renato Opice Blum, fundador do escritório paulista Opice Blum Advogados Associados, um dos mais importantes da América Latina, especializado em fraudes eletrônicas.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2010 | 00h00

O crescimento de problemas relacionados a negócios no mundo virtual é expressado em números. A americana McAfee, empresa especializada em programas antivírus, estimou que os custos dos crimes perpetrados via internet no mundo geraram um prejuízo para as empresas equivalente a US$ 1 trilhão em 2008. No Brasil, não existem dados abrangentes, nem mesmo no âmbito do Comitê Gestor da Internet. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), no entanto, afirma que os prejuízos causados por fraudes chegam a R$ 500 milhões por ano. Para proteger-se desse tipo de ameaças, calcula-se que apenas as empresas do setor financeiro brasileiro gastam algo em torno de R$ 1,5 bilhão anuais no combate às fraudes virtuais.

Mas não são somente os grandes negócios, como os bancos, os prejudicados. Segundo uma pesquisa da Symantec, outra empresa de informática especializada em programas antivírus, as pequenas e médias empresas da América Latina já gastam uma média de US$ 23,4 mil por ano no combate a fraudes eletrônicas. Desse total, dois terços são destinados à proteção de informações. "As pequenas e médias empresas perceberam que perdem mais dinheiro quando não protegem adequadamente suas informações", afirma Opice Blum.

Quinze anos atrás, quando Opice Blum formou o escritório de advocacia, sua equipe se resumia a três advogados e cuidava basicamente de contratos de software e hardware. Atualmente, o escritório conta com 60 profissionais, com demandas que vão desde crimes comuns, como calúnia e injúria na internet, até outros bem mais específicos, como a quebra de sistemas por hackers. A abrangência deles também aumentou e seus processos ultrapassam as fronteiras brasileiras - pelo menos uma vez por mês, Opice Blum viaja para os Estados Unidos para cuidar de casos em cortes americanas.

Ainda melhor para Opice Blum e seus associados, seu escritório tem aproveitado essas oportunidades num mercado com escassa concorrência. Segundo ele, ainda hoje poucos escritórios de direito atentaram para a importância dos crimes eletrônicos. "A formação tradicional do advogado não contempla o mundo digital", diz. A situação começa a mudar, porém. Hoje, o advogado dá aulas sobre direito digital nos cursos de graduação da Fundação Getúlio Vargas e do Mackenzie e numa especialização da USP. "A nova geração está buscando mais aprimoramento na área", diz.

Ao mesmo tempo, o interesse das empresas nacionais também está crescendo. "As filiais das multinacionais já trazem a cultura da matriz", diz. Um exemplo da postura mais ativa das empresas é o interesse pelo seminário que Opice Blum vai promover nesta sexta-feira (27) sobre crimes eletrônicos e direito digital, na Fecomércio, em São Paulo, com o apoio da consultoria PricewaterhouseCoopers Brasil. "Falta os funcionários tomarem mais conhecimento desses perigos", afirma Opice Blum.

EMBALAGENS

Escassez de papel cartão no fim do ano preocupa

As vendas de papel cartão cresceram 28% nos primeiros seis meses deste ano no mercado interno. Esse resultado é o melhor do setor em todos os tempos: está 12% acima do obtido em 2008, superando a estagnação do ano passado, quando as vendas aumentaram 2%. "As indústrias de higiene e limpeza, de alimentos e de cosméticos, consumidoras desse tipo de embalagem, estão bombando", afirma Carlos Aníbal Almeida, diretor executivo da Unidade de Negócios Papel da Suzano, maior fabricante do País, com 26% do mercado de papel cartão. Boa notícia para os fabricantes, o aquecimento da demanda pode virar dor de cabeça para empresas que usam o produto: pode faltar embalagens no fim do ano. Os estoques na cadeia produtiva, que tradicionalmente equivalem a 40 dias de produção, não passam de 20 dias.

CONSUMO

ClickOn chega a 400 mil usuários em três meses

O site de compras coletivas ClickOn recebeu a adesão de 400 mil usuários em três meses de operação e prevê chegar a 1 milhão de clientes cadastrados até o final do ano. O serviço, que reúne ofertas diárias com descontos de até 90% em restaurantes, academias, shows, cinema, entre outros, vendeu em apenas 24 horas, por exemplo, cinco mil vouchers de pizzas da 1900 Pizzeria, de São Paulo, quatro mil entradas de teatro e 800 ingressos de cinema. A boa aceitação do consumidor ao serviço despertou a atenção de investidores internacionais. O alemão Klaus Hommels, que investe em empresas de internet como Skype e Facebook, destinou um aporte de R$ 17 milhões na ClickOn, empresa idealizada pelo empresário Paulo Humberg, criador do Shoptime, serviço de venda de produtos como eletroportáteis e utilidades domésticas pela TV e internet.

PIRATARIA

Venda ilegal de software

atinge US$ 51 bi no mundo

Em 2009, a economia mundial perdeu US$ 51 bilhões com a pirataria de software. A informação foi divulgada por Juan Hardoy, diretor de antipirataria da Microsoft na América Latina, durante o 30º Congresso Internacional de Propriedade Intelectual, encerrado ontem, em São Paulo. Segundo ele, uma redução de 10% na pirataria resultaria na abertura de 600 mil novos empregos no mundo. No Brasil, o comércio ilegal somou US$ 2,25 bilhões no período.

CELULOSE

Licença ambiental atrasa

fábrica da Veracel na Bahia A Veracel, joint venture entre a sueco-finlandesa Stora Enso e a Fibria, da Votorantim, aguarda a concessão da licença ambiental para a plantação de eucalipto numa área de 80 mil hectares, para dar início às obras de sua nova planta de celulose, no Sul da Bahia. A fábrica, na qual será investido US$ 1,5 bilhão, deverá produzir l,5 milhão de toneladas de celulose por ano, a partir de 2015. Se a licença sair até o fim de 2010.

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