Empresas devem iniciar recompra de suas ações

A turbulência causada na Bolsa de Valores de São Paulo após os atentados terroristas nos Estados Unidos deve reacender o interesse das empresas em programas de recompra de ações, a exemplo do que já está ocorrendo no mercado americano.Analistas lembram que alguns papéis amargaram grandes perdas e hoje estão sendo negociados a preços muito baixos. Segundo o analista-chefe do Pactual, Ricardo Kobayashi, as empresas que tiverem recursos em caixa devem aproveitar para recomprar suas ações. Assim, sinalizam aos investidores que a cotação está abaixo da perspectiva de ganho da companhia.Atualmente, 14 empresas do País estão com programas de recompra abertos e registrados na Bovespa. A expectativa é de que novos programas sejam anunciados em breve.O executivo do UBS Warburg Marcelo Mesquita apontou o setor bancário como um dos que poderiam detonar esse movimento. Além das instituições financeiras, o executivo lembrou que empresas como a Companhia Vale do Rio Doce, Souza Cruz, Embraer e AmBev também poderiam lançar ou dar prosseguimento aos programas de recompra. Companhias dos setores de telecomunicações e de energia, que estão exigindo grandes investimentos, estão descartadas da lista do UBS Warburg.Os analistas acreditam que esse movimento terá um impacto bem mais modesto no Brasil do que nos EUA - onde a atitude das companhias impediu uma queda mais acentuada da Bolsa de Nova York. Segundo Kobayashi, as empresas preferem administrar com mais conservadorismo seu caixa em momentos de incerteza. "O caixa aqui é mais caro e, com as indefinições, mais precioso."O vice-presidente e estrategista de renda variável do JP Morgan, Pedro Martins Jr., afirmou que o dinheiro para a recompra de ações não pode atrapalhar os planos de investimento das companhias em 2002, ano que será mais complicado por causa das incertezas externas e das eleições presidenciais.A analista-chefe da Fator Doria Atherino, Lika Takahashi, não está confiante numa onda de programas de recompras no Brasil. Segundo ela, esse movimento não ocorreu em outras situações em que a bolsa bateu níveis muito baixos, como nas crises da Ásia ou da Rússia. "Gostaria muito que as empresas fizessem isso para acalmar o mercado e valorizar seus papéis. Mas, no Brasil, não são culturais atitudes como essas."

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