Jf Diorio/Estadão
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Empresas discutem cenários para o Brasil zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2060

O conselheiro do Núcleo de Energia do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, Jorge Camargo, organiza com o BID e a Empresa de Pesquisa Energética uma série de eventos virtuais para discutir a transição energética

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 15h48

RIO - A transição energética é o grande tema das empresas no momento, e mostrar como o Brasil vai caminhar até 2060 para atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa nesse contexto é fundamental para atrair investimentos para o País. Pensando nisso, o conselheiro do Núcleo de Energia do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Jorge Camargo, decidiu promover, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), um programa para desenvolver cenários possíveis para o País atingir essa meta.

“Todos os CEOs das empresas associadas quando vêm ao Brasil querem debater conosco, falar sobre a visão da transição energética. É um grande desafio para as empresas de petróleo e do setor de energia, dos governos, dos consumidores. Não é o único tema, mas é o tema principal no momento”, disse Camargo ao Estadão/Broadcast

Cebri, BID e EPE vão realizar de 8 de abril a 25 de maio uma série de eventos virtuais envolvendo várias empresas para discutir como o Brasil atingirá a nova meta de descarbonização definida em dezembro de 2020. 

“Quais são os desafios? Quais são as incertezas? O que é preciso o setor privado fazer, e o setor público? Qual o desafio de inovação tecnológica? É isso que queremos discutir nesse projeto de transição energética, que resultará em um estudo conjunto com o BID e a EPE”, explica Camargo, que considera a inovação tecnológica e a construção de políticas públicas os principais obstáculos para chegar à emissão líquida zero em 2060. 

Os debates serão divididos em três etapas. A primeira vai discutir as grandes incertezas. Depois, uma fase de convergência vai mostrar o caminho que deve ser seguido. A terceira fase, e mais importante, na avaliação de Camargo, será a formulação de cenários para o Brasil, com apoio dos professores da Coppe/UFRJ Roberto Schaeffer e Alexandre Szklo.

“A transição energética é uma grande oportunidade para o Brasil, primeiro porque a gente sabe que energia e clima são hoje indissociáveis, e temos essa visão de que o Brasil pode se tornar uma potência energética e uma potência ambiental. Essas duas coisas andam juntas e o Brasil é um dos poucos países que juntam esses dois pontos que definem a transição energética”, explicou o executivo.

Camargo ressalta que, ao mesmo tempo em que o mundo tem de reduzir as emissões, precisa aumentar em 50% a oferta de energia até 2050, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). “Esse é o maior desafio da humanidade”, alerta.  

Atualmente, 80% da energia gerada no mundo vem da energia fóssil, que não vai sumir do mapa nas próximas décadas, apesar de reduzir a demanda, observa. “O futuro da energia nessa transição energética vai se dar por uma variedade e diversidade de fontes. Haverá um aumento muito rápido de renováveis, assim como a estabilização e depois declínio da energia fóssil, e com grande  iniciativas de captura de carbono no ar para conseguir a emissão liquida zero”, avalia.

O Brasil, detentor das imensas reservas de petróleo do pré-sal, vai disputar o mercado remanescente de petróleo e gás com um óleo competitivo, diz Camargo. Além disso, o País tem uma diversidade enorme de fontes energéticas, o que pode atrair investidores, assim como iniciativas para captura de carbono como plantio de árvores ou injeção em reservatórios subterrâneos. 

“Nossa intenção é contribuir para desenhar esse caminho da transição energética para o Brasil. O que é preciso em termos de infraestrutura, de regulação, de ambiente de negócios para o Brasil aproveitar ao máximo essa oportunidade que a transição energética oferece”, explica. 

Após a conclusão do estudo, o que deve ocorrer em fevereiro de 2022, a ideia é de que sirva de referência para futuras políticas públicas e para a decisão de investidores. 

“Nossa ambição é influenciar nas políticas públicas. A gente não tem a pretensão de que vai ter todas as respostas, o que a gente vai fazer é procurar entender as incertezas, conhecer onde estão os obstáculos, para onde estamos indo, quais são as coisa que a gente sabe e que não sabe,  isso já tem muito valor”, diz Camargo. 

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